A situação dos trabalhadores responsáveis pela distribuição de água em municípios afetados pela estiagem, em Alagoas - conhecidos como pipeiros – que estão sofrendo com atrasos no pagamento da prestação do serviço, provocando interrupção do serviço, foi denunciada no plenário do Senado Federal, na tarde desta quarta-feira (23), pelo senador Fernando Collor (PTB-AL).

Ele se baseou em informação divulgada na imprensa alagoana, em que o prefeito Fabiano Ribeiro, de Pariconha - um dos municípios que decretaram situação de emergência por conta da estiagem - teria dito que, apesar do pagamento de parte dos atrasados, em alguns municípios, os ‘pipeiros’ ainda estão há quatro meses sem receber.

Collor considerou a situação como mais um exemplo “da inoperância do atual governo de Alagoas, que sequer consegue manter em dia o pagamento de um serviço básico e paliativo, de fundamental importância para o interior do estado”.

O senador citou declaração do prefeito, segundo a qual recursos federais têm sido liberados para o combate aos efeitos da seca, por meio do Ministério da Integração, e o Exército tem cumprido seu papel, por meio da operação carro-pipa. Mas o mesmo prefeito aponta deficiência por parte da Defesa Civil estadual. “Ele disse que, se a situação não for resolvida o quanto antes, as atividades complementares – a exemplo da compra de ração para animais, além da perfuração de poços e dos perímetros irrigados no entorno do Canal do Sertão – ficarão comprometidas”, destacou Collor.

Alagoas tem mais de 50 cidades em situação de emergência, por causa da seca.

Outras deficiências

O senador alagoano aproveitou o pronunciamento para, mais uma vez, denunciar “o degradante e desumano quadro do sistema de saúde e segurança pública do Estado”, citando como exemplo a situação de um trabalhador rural do município de Atalaia, que após ter levado três tiros durante um assalto do qual foi vítima no último dia 13, ficou três dias na fila do Hospital Geral do Estado, aguardando para ser submetido a procedimento cirúrgico, com risco e ter uma perna amputada.

“Ou seja, o trabalhador foi duplamente vitimado pela precária gestão pública, estadual, que não conseguiu dar a ele a segurança e a assistência devidas, seja na hora do assalto, seja na hora do atendimento hospitalar”. E destacou que na última segunda-feira (21), em meio às denúncias de superlotação e descaso, a diretora do HGE, Verônica Omena, confirmou que mais de 99 leitos da nova unidade do hospital (prontos há cerca de um ano), não estão funcionando devido à falta de um equipamento de refrigeração.

“Este é o resultado da incompetência administrativa do governo de Alagoas. Por isso, faço questão de registrar aqui a minha solidariedade à população mais necessitada de Alagoas, verdadeira vítima de uma gestão arcaica, morosa e ineficiente”, concluiu o senador.