Os buracos nas BRs 104 e 416- em Alagoas- fazem a alegria do borracheiro Joaquim dos Santos, de 54 anos. Ele é dono do próprio negócio- a borracharia à beira da estrada em São José da Laje. Uma das poucas, pelo menos nas duas BRs que testemunham acidentes e carros quebrando quase diariamente.
Joaquim, o "Borracha", lucra R$ 40 por dia. Cobra pouco- R$ 10- para emendar um pneu ou desamassar a roda do carro que cruza desatenta as BRs esquecidas pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER).
"Vi muita desgraça por aqui", diz.
Veja entrevista:
Quantos carros vêm aqui no seu negócio?
Depende. No inverno, uns cinco por dia. Agora tá mais quente. Uns três ou quatro.
Cobra quanto?
Dez reais ou quanto o cliente quer dar. Faço uns R$ 40 por dia.
Ganha bem. Se o senhor trabalha todo dia- com esse movimento- fica com R$ 1.200. Quase dois salários mínimos.
Mais ou menos isso. Dá para viver.
E como os carros vêm para cá?
Pneu estourado, jante amassada. A estrada é difícil.
Viu muita gente morrer por estas bandas?
Vi demais. Vi muita desgraça por aqui. Carro capotando, gente morrendo. Muito triste.
Se pudesse falar com a presidente Dilma, o que pediria?
Nada. Tá tudo bom. Vou pedir o quê? Conserte a estrada. Só isso.

