O espetáculo “A Farinhada” mostra que Alagoas pode produzir histórias interessantes e render momentos de reflexão.

Pela morte “matada”? Sim. Pelo deboche diante da caricatura do poder? Sim. Pelo entorno da casa de farinha e a ação atemporal e atual? Sim.

Sim, porque “A Farinhada” é a nossa sociedade violenta, o macho animalizado, as mulheres maltratadas pela miséria, o "qui-qui-qui", "qua-qua-qua" de homens quase amiudados em seus contextos antipatizados, servos desprendidos da esperança, amedrontados pelo contexto puro e simples do viver ou morrer a partir de uma escolha pessoal:  enfrentar? Destruir-se?

K lutava contra o poder invisível em seu castelo. E desafiava seu destino. Mas, “A Farinhada” parece Édipo não pelo fundo trágico mas o destino quase tratado de quem nasce e morre em Alagoas. Édipo cai nas garras de sua maldição ao se casar com Jocasta, sua mãe. E amaldiçoa-se pela culpa.

O amor de Rosa Maria e Pedro Bom também tem a sua maldição. O destino tem de ser desafiado. A casa de farinha é testemunha do prenúncio do fim. Mas, os dois contam apenas com a própria sorte. Assim como Jocasta se mata para a liberdade, Édipo para purgar sua tragédia, Rosa e Pedro serão livres após a extinção.

Quanto custa ser livre em Alagoas? 

Livro

Próxima quinta-feira, às 19 horas, no restaurante Bicho do Mar, lançamento do livro "Construção da Alma Alagoana, de Graciliano aos nossos dias", da cientista social Ana Cláudia Laurindo. Uma visão imperdível de Graciliano a quem está de pé ou sentado nas salas de aula alagoanas.