Não será tão simples ao prefeito Rui Palmeira levar adiante a ideia de decretar emergência administrativa na saúde da capital, sem enfrentar a desconfiança geral. 

Ano passado, todos os candidatos a prefeito investiram na saúde pública como temática central de suas campanhas. Seguiam os rumos das pesquisas. A necessidade era um posto ou um hospital- com médicos e medicamentos. A baixa cobertura do PSF em Maceió, talvez, justificasse a grande demanda da população. Uma demanda reprimida, diga-se.

Os protestos de junho reafirmaram a necessidade. E o Governo Federal emendou com o Mais Médicos- uma solução eleitoral, para não enfrentar o debate sobre o SUS. 

Um balanço do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess)- realizado ano passado- indica que até 2030 o SUS vai receber R$ 63,5 bilhões com assistências ambulatorial e hospitalar. Serão 150% a mais, em relação aos R$ 25,5 bilhões gastos atualmente. 

No dia a dia, não se consegue entender como idosos ainda dormem na porta do PAM Salgadinho- em busca de uma ficha de atendimento- se o SUS parece funcionar tão bem no papel.

Ou postos de saúde- cujas indicações passam por vereadores de Maceió- estão sem medicamentos. Falta até remédio para dor de cabeça.

Rui Palmeira terá de enfrentar o descrédito em torno do SUS e o fracasso, do Governo do Estado, na criação de uma rede de atendimento médico ao cidadão mais comum. 

Afinal, é o próprio Governo quem espalhou, a cada 30 quilômetros, unidades do Samu para socorrer o cidadão. Um cidadão que não será entregue a qualquer município. Virá a Maceió- ou para ser atendido no já super-utilizado PAM Salgadinho ou despejado no Hospital Geral do Estado.

A principal promessa de Rui foi a de melhorar o sistema de saúde em Maceió. Se fizer o mínimo- garantir a luva, o remédio, os médicos nos postos, o fim das filas que varam madrugadas- terá iniciado o trabalho de reconstrução do crédito que precisa para administrar. Vai investir em saneamento básico, campanhas de limpeza das ruas, cobranças aos municípios sobre os doentes despejados em Maceió.

Etapas que podem seguidas e contínuas para retirar a campanha da TV e levar ao dia a dia do maceioense. Ou evitar que a vitrine se transforme em vidraça.