A presidente argentina, Cristina Kirchner, será operada nesta terça-feira de um coágulo no cérebro depois de os médicos avaliarem os novos sintomas de "formigamento" no braço esquerdo e uma "transitória e leve perda da força muscular" no membro.

Cristina deu entrada nesta segunda-feira na clínica Favaloro, de Buenos Aires, para se submeter a novos estudos depois de ter sido diagnosticada sábado com um "hematoma subdural crônico", consequência do traumatismo sofrido em 12 de agosto e que a fez receber a recomendação de 30 dias de repouso.

No entanto, "a proposta inicial de repouso precisou ser modificada" pela presidente ter apresentado o formigamento no braço esquerdo.

"Diante de tal sintoma nossa equipe foi até a residência oficial da presidência para realizarum exame físico-neurológico constatando uma transitória e leve perda da força muscular do mesmo membro superior".

Diante do quadro identificado nos exames, médicos recomendaram hoje a intervenção cirúrgica, que consistirá "basicamente na retirada cirúrgica do hematoma".

Cristina Kirchner, de 60 anos, sofre problemas de hipotensão e em janeiro do ano passado se submeteu a uma operação para a retirada da glândula tireóide.

Enquanto se recuperava, foi substituída durante três semanas pelo vice-presidente argentino, Amado Boudou, que assumirá interinamente a presidência agora.

Boudou interrompeu no sábado uma visita oficial ao Brasil e voltou a Buenos Aires pouco depois de a presidente dar entrada na clínica Favaloro.

"Ela quer que se mantenha a gestão e toda equipe vai mantê-la. Força Cristina, força Argentina, vamos todos juntos!", afirmou hoje o vice em um ato na casa de governo, antes de se formalizar o trâmite que o transforma na máxima autoridade do Estado enquanto a presidente estiver ausente.

Boudou assumir o posto máximo tinha sido colocado em dúvida por meios de comunicação argentinos e analistas em meio a duras críticas pela suposta vinculação do vice-presidente com escândalos de corrupção.

Além disso, em plena campanha para as eleições legislativas do próximo dia 27, o protagonismo de um dirigente com um forte desgate de sua imagem pública poderia afetar negativamente o governo, que enfrenta a disputa eleitoral mais difícil em 10 anos, apontaram os analistas.

Ao vice-presidente argentino é apontado de envolvimento no uso de influência em benefício da gráfica Ciccone, agora Companhia de Valores Sul-Americana, quando era ministro da Economia (2009-2011) durante o primeiro mandato de Cristina.

Pelo Twitter, representantes da oposição, como o candidato a deputado pela província de Buenos Aires na Frente Renovadora, Sergio Massa, enviaram mensagens de ânimo à presidente.

"Nosso desejo de uma pronta recuperação à Presidente da República", publicou Massa na rede social.

"Desejamos à presidente tranquilidade e pronta recuperação", disse em um tweet, Margarita Stolbizer, da Frente Progressista Cívico e Social, que acrescenta que "é imprescindível informação completa e confiável sobre seu estado de saúde".

Também membros da Frente para a Vitória, chapa de situação, como o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, ou o primeiro candidato a deputado por essa província, Martín Insaurralde, se solidarizaram com a presidente e confiaram em sua pronta recuperação.