Uma brasileira que estudava inglês no Canadá está há quase dois meses internada em um hospital de Vancouver após ter descoberto um tumor cerebral. A designer de moda Daniela de Assis Cerca, de 25 anos, passou mal durante uma aula no dia 8 de agosto e durante atendimento médico foi detectado um tumor maligno no cérebro. Segundo sua família, a jovem chegou a ficar em estado grave, passou por uma cirurgia que retirou cerca de 90% do tumor, mas teve uma boa recuperação, e agora aguarda os trâmites necessários para sua volta ao Brasil.

De acordo com a família, a volta da brasileira foi marcada para a próxima segunda-feira (7). Daniela já poderia ter retornado ao Brasil – ela viajará em um voo e necessitará apenas de assento de primeira classe e de dois acompanhantes.

O entrave enfrentado pela família estava na internação da jovem no Brasil. Segundo a família de Daniela, os hospitais brasileiros exigem que a paciente passe por um pronto-atendimento e procedimentos de triagem – e os médicos do Canadá queriam que ela viajasse já com uma vaga garantida em um hospital e com uma equipe já conhecedora de seu caso.

De acordo com seus familiares, a jovem está com a mobilidade reduzida devido aos quase dois meses de internação, e não consegue ficar sentada. No Brasil, ela precisará passar por tratamento de radioterapia e quimioterapia.

“Como o caso dela está em andamento, já tem um diagnóstico, e será feita a continuidade do tratamento, a gente quer evitar essa parte. Vai ser mais demorado, ela já vai vir de um voo longo, e ela precisa continuar o tratamento que tem aqui, não pode perder nenhum dia”, explicou a mãe da jovem, Maria José Facco de Assis, de 51 anos.

Após vários dias de tentativas, a família conseguiu na noite desta quinta-feira (3) acertar a volta para o Brasil, que foi marcada para segunda (7). A equipe médica que atenderá a jovem no Brasil conseguiu uma vaga no Hospital Villa-Lobos, para o qual ela será levada assim que pousar no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e será internada sem necessidade de triagem.

Atendimento e seguro
No Canadá, Daniela está internada no Hospital Lion’s Gate, que segundo a família tem dado toda a assistência necessária. Após a cirurgia, a jovem permaneceu internada na UTI semi-intensiva, passa por trabalho e reabilitação, incluindo fisioterapia, e há alguns dias foi transferida para um quarto. A jovem passa bem e não necessita de respirador ou outro aparelho de suporte hospitalar.

O hospital também providenciou o voo de volta, dois funcionários que irão acompanhá-la na viagem para prestar a assistência médica necessária, segundo o fotógrafo Fábio Marino, primo de Daniela que também está no Canadá tentando resolver o caso. “O hospital a recebeu por ser uma emergência. Eles estão providenciando tudo, não sofremos nenhum tipo de pressão, de cobrança por pagamento. Mas a empresa de assistência de viagem que minha prima contratou no Brasil não está pagando as contas.”

A Assist-Card nega a acusação e disse estar arcando com suas responsabilidades.

Daniela havia contratado a assistência para sua viagem com a Assist-Card. Segundo sua família, a empresa ainda não efetuou pagamentos que já deveriam ter sido feitos. “Eles simplesmente não estão pagando ninguém. Eles dizem que vão fazer, mas de fato não fazem”, explica Fábio.

O Hospital Lion’s Gate em nenhum momento fez cobranças, segundo a família. “Eles não falam absolutamente nada nesse sentido conosco. No início disseram que não temos que nos preocupar com conta, que não era momento de se preocupar. Depois não falaram mais nada, não temos noção do quanto está a conta. Existe um valor contratado (com a empresa de assistência de viagem), que independente de ter sido ultrapassado eles [a Assist-Card] têm que arcar. A assistente social do hospital está trabalhando para receber”, contou a mãe da jovem. O retorno da jovem para o Brasil também está sendo providenciado pelo hospital canadense.

A família diz não ter noção da dimensão da conta – a jovem já está internada há quase dois meses e passou por diversos procedimentos médicos, incluindo uma cirurgia no cérebro. “Se a conta ultrapassar o valor do seguro não tenho a menor ideia do que vamos fazer. A gente não tem questionado também, como o hospital não nos deixou a par do valor, ficamos na nossa. Eu imagino que a conta seja um valor bem mais alto, que não teríamos condições de arcar. E acho que o hospital entendeu isso”, disse Maria José.

Giancarlo Bezzi, gestor da área de operações da Assist-Card, afirmou ao G1 que o pagamento das despesas médicas no Canadá e da repatriação de Daniela foram autorizados no dia 20 de setembro.

“Ela tem um cartão da Assist-card que cobre um valor para enfermidades, acidentes e repatriação [US$ 50 mil]. Analisamos o caso com a direção ética e operacional internacional e decidimos autorizar excecionalmente o valor de US$ 100 mil dólares para atendimento”, explicou.

O valor a mais, segundo o gestor, compreende o pagamento da repatriação da brasileira – que segundo ele, só estava incluído no seguro contratado em caso de acidente, e não de enfermidades, o caso de Daniela.

“Uma vez que nós autorizamos o pagamento ao hospital, demos essa autorização, nós é que vamos pagar o hospital, até o limite do valor contratado”, afirmou. Segundo ele, a Assist-Card está em contato direto com a assistente social do hospital canadense para acertar os pagamentos quando Daniela voltar ao Brasil. “Nós estamos prestando o serviço, estamos em contato com o hospital no Canadá, o caso será pago. Em nenhum momento deixamos esse caso sem acompanhamento, sem ter retorno”.

Bezzi também informou que para autorizar o pagamento da repatriação de Daniela, a empresa precisa de relatórios médicos que autorizem a viagem da paciente. A Assist-Card ainda aguarda o recebimento dos documentos – mas informou que foi informada pelo hospital canadense que a volta da jovem foi autorizada pelos médicos e agendada.