Um certo ar pragmático toma conta dos corredores do Palácio República dos Palmares. Agora, é hora de investir em discursos de caráter social, acompanhando as pesquisas que não dão vantagem ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) na disputa à vaga ao Senado, conforme mostrado pelo Cada Minuto e Cada Minuto Press.
Cardápio do momento: a "obsessão" na criação de empregos- conforme disse o governador- em almoço com jornalistas.
Alguém convenceu Vilela: emprego + pessoas = queda da violência e do uso do crack. "90% dos viciados em crack são pobres", analisa o chefe do Executivo.
Não é um discurso novo. No baú dos papeis amarelados, os usineiros de Alagoas dizem, desde a Colônia, que são geradores de emprego e renda nas cidades.
São os "homens bons", os "bons cristãos"- simbolo, na Colônia, da exclusão política.
"Para alcançar a condição de “homem bom”, era necessário que o indivíduo fosse maior de 25 anos de idade, casado ou emancipado, praticante da fé católica e não possuísse nenhum tipo de “impureza racial”. Além disso, estes mesmos homens deveriam ter a posse de terras que legitimavam sua condição social distinta", diz a História.
Loiros nascidos nas Alagoas e donos das fatias destas terras, nossos usineiros eram (e são) estes homens bons: afinal, geravam emprego, as missas nos canaviais antes da colheita tinham no altar os santos e na primeira fileira aquele "homem bom"- o farto distribuidor de trabalho contra a vagabundagem.
Hoje, os usineiros empregam durante seis meses o trabalhador e nos próximos seis meses- já demitido- recebe o seguro desemprego, pago pelo Governo Federal. O "auxílio bondade".
E sob a égide da bonança administrativa, Vilela discursa e - nas entrelinhas - vitamina a antiga prática do beija mão. Na homilia antes das colheitas nos canaviais, o beijo no santo e na mão do usineiro era sinônimo destes acordos tácitos de fidelidade.
Entre o discurso e a prática, a distância é medida pelos próprios técnicos do Governo. A mão de obra desqualificada é quem impede a entrada do alagoano no mercado de trabalho. Mão de obra semi-analfabeta, quase escrava. Recuperar esta mão de obra- através da educação- exige tempo.
Mas, o tempo e uma eleição caminham em lados separados. Quase divergem.
E Alagoas entoa este Guerreiro da "terra da prosperidade": um milhão de indústrias instaladas para barrar os incômodos relatórios do Ministério do Trabalho, apontando a sazonalidade da mão de obra alagoana, nos canaviais, como herança do passado.
Daria tempo para dias melhores, mas para quê? A eleição ensina alguns valores, entre eles o de um almoço. Ele nunca é de graça, mesmo aos mais modestos.