Merece-se analisar as declarações do coordenador do Gecoc, promotor Alfredo Gaspar, sobre o programa Brasil Mais Seguro.
Ao afirmar que o plano federal está "falido", Gaspar endossa uma opinião geral. O sentimento das ruas não entra no Palácio República dos Palmares. A insegurança é palavra de ordem, assim como a saúde é a principal reclamação do alagoano, segundo apontavam as pesquisas no ano passado.
O Brasil Mais Seguro acabou sem nem mesmo começar. No papel, não é um plano policialesco, mas uma tentativa de reconstrução do tecido social em frangalhos. Dependeria das escolas em tempo integral, da assistência social em busca e tratamento dos drogaditos, do funcionamento célere do Tribunal de Justiça, da produção de provas robustas do Ministério Público Estadual, a colaboração da sociedade civil organizada.
Só que o próprio Governo cumpre pedaços do plano. O IML- prometido para este ano- só sairá em 2014. O instituto nunca teve raio X, as vítimas de violência sexual (para citar um caso) são destratadas por uma estrutura onde o ser humano parece o pior dos bichos. Ou se nem bicho fosse.
Apenas o secretário de Defesa Social, coronel Dário César, cumpre as regras (policiais) do plano. O entorno do governador assiste ao espetáculo como um dia os romanos assistiam cristãos virarem tochas humanas no Coliseu.
Alfredo Gaspar é filho de outro Alfredo, coordenador do Instituto Arnon de Mello- do senador Fernando Collor. O promotor poderia estar a serviço de Collor nas críticas. E o momento é propício: Collor é rival do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) nas eleições do próximo ano.
O currículo do promotor é maior que a ligação parental. É o Gecoc, em Alagoas, quem ajuda na recuperação de algum sentimento de punibilidade contra o mundo do crime, cada vez mais organizado por quem tem amplas relações sociais com os "de cima", a "nata da sociedade".
Nosso horror e iniquidade não é uma torcida por ver tudo explodir. O Governo espera o elogio ao Brasil Mais Seguro. Melhor ouvir a Loucura sorrir para o nosso drama. A sinceridade dela é impagável