Um dia após as denúncias de irregularidades na folha de pagamento da Assembleia Legislativa ganharem destaque nacional com uma matéria exibida no Fantástico, o procurador-geral de Justiça de Alagoas, Sérgio Jucá, revelou ao CadaMinuto que servidores da Casa de Tavares Bastos estão sendo ouvidos pelo Ministério Público. Com o andamento das investigações e os depoimentos, Jucá diz que foram descobertas “coisas escabrosas”.
Jucá afirmou que, com base em provas documentais e no que foi dito pelos depoentes, o Ministério Público já constatou que há pelo menos um deputado para o qual os servidores repassam quase todos os seus salários. “Chegamos ao nome desse parlamentar e há provas irrefutáveis que 99% do dinheiro recebido pelos funcionários são entregues a ele. Desse deputado não há dúvidas que isso é feito. Acredito que essa prática aconteça também com outros”, afirmou.
O procurador-geral de Justiça colocou também que todos os servidores que prestaram depoimento foram acompanhados de advogados. Ele acredita que boa parte dos funcionários tenha sido orientada pelos deputados sobre o que falar ao Ministério Público.
“Quando cito essa situação do deputado que fica com o dinheiro dos servidores, não posso revelar para que outros parlamentares não comecem a se preparar, o que pode atrapalhar a nossa investigação. Avançamos bastante, mas não podemos falar muito agora. Estamos esperando o momento oportuno para tomar medidas drásticas”, frisou Jucá. Sobre a possibilidade de convocar deputados para prestarem depoimento, o procurador afirma que isso não foi descartado pelo Ministério Público.
Indagado se o MP iria pedir o afastamento da Mesa Diretora, Jucá afirmou que estão sendo reunidas provas e analisados documentos para que sejam discutidas as medidas a serem tomadas. “Estamos usando da maior cautela. Se formos formular um pedido, queremos que seja algo consistente. O Ministério Público tem avançado nas investigações e na hora certa vamos anunciar as nossas ações. Não adianta fazer um pedido sem embasamento e endereçar ao Judiciário”, disse o procurador.
