O terceiro espancamento- em uma semana- agora de um rapaz acusado de assaltar uma grávida, no conjunto Santo Eduardo- poderia ser uma alerta ao Tribunal de Justiça de Alagoas. A população sabe que a lei de Talião é tão ou mais eficiente que a longa espera nos corredores procrastinados à revelia pela lei moderna.

Não é possível o Brasil ser o país com maior número de homicídios no mundo- entre lugares sem guerra- e a Justiça ser lenta, lenta e novamente lenta. Um empresário, preso mês passado em Maceió, é acusado por um assassinato em Vitória do Santo Antão (Pernambuco), um crime com 19 anos.

E o caso Ceci Cunha? O primeiro julgamento só em 2012, quatorze anos após o crime. E Paulo César Farias? E os autores intelectuais do tributarista Sílvio Vianna? Ou quem são os autores intelectuais?

A lista da impunidade no Brasil é revoltante, mas em Alagoas mostra a face mais injusta da Justiça. O servente de pedreiro Carlos Roberto Santos; a jovem Roberta Dias e a estudante de Contabilidade Bárbara Regina inauguraram uma nova era na Polícia Civil: crimes ditos solucionados mas e os corpos? Nunca encontrados.

Ou quando denunciar torturadores vira crime? Relatório de 2005 da Câmara dos Deputados mostra  1.863 casos de tortura e tratamento cruel, desumano ou degradantes. Na lista, agentes policiais, protegidos pelas corregedorias espalhadas pelo País.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Malta Marques, e todos os integrantes da mais alta Corte alagoana carregam a responsabilidade pelo descrédito na Justiça alagoana. Não criaram o modelo atual; além disso, são herdeiros do passado nem tão glorioso. Porém, têm o compromisso presente e futuro de aproximar os tapetes vermelhos dos pés do cidadão mais comum para se reestabelecer a confiança.

Poucos cidadãos conhecem pelo menos três desembargadores do TJ de Alagoas. Mas, sabem da eficiência momentânea da lei de Talião.

Lei para os que acreditam na força bruta, na falta da esperança.