O apelo desesperado de uma mãe em busca de retirar a filha da dependência química levou o Conselho Tutelar da VII Região a descobrir um esquema de prostituição infantil às margens da rodovia BR-316, próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Conforme informações apuradas pela reportagem do CadaMinuto, cerca de 30 meninas com a faixa etária entre 12 e 16 anos são agenciadas para fazer programas. 

Quem transita pela localidade no período da noite possivelmente já presenciou algumas dessas garotas abordando homens que trafegam pela rodovia. De acordo com o conselheiro Fernando da Silva, a mãe pediu ajuda ao Conselho depois que observou que a filha saia para escola à tarde e somente retornava para casa na manhã do outro dia. 

Fernando explica que a situação já foi encaminhada para a Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente e ao Juizado de Menores. Uma fiscalização foi realizada no local, há algumas semanas, no intuito de flagrar a situação, mas ninguém foi encontrado.

“Nós conseguimos o apoio da Polícia Rodoviária Federal para fazer essa fiscalização. Mas nesse dia nenhuma garota estava no local. Nós acreditamos que alguma informação vazou e elas saíram da área”, relatou o conselheiro. 

Ainda segundo a denúncia, os adolescentes são agenciadas por um homossexual. “Infelizmente ainda não conseguimos identificar essa pessoa, mas toda a investigação está em andamento e com certeza nós vamos conseguir chegar até ele”, assegurou Fernando, acrescentando que esse agenciador vicia as meninas em crack para que elas se tornem dependente da prostituição e possam assim ter dinheiro para comprar a droga. 

Segundo o conselheiro, uma das maiores angústias dos órgãos de defesa da criança e do adolescente é o incentivo ao vício da droga, pois com isso as adolescentes ficam sem ter saída.

“Essa mãe que contou para gente o que acontecia e estava desesperada com a situação da filha. Muitas dessas meninas que estão lá fazem programa por R$ 5, que é o valor para comprar uma pedra de crack. O valor máximo que elas cobram é R$ 20”, completou. 

Em outros locais

Fernando da Silva afirmou também que na região administrativa VII de Maceió, que abrange os bairros Santa Lúcia, Tabuleiro do Martins, Graciliano Ramos, Santos Dumont, Clima Bom, Cleto Campelo, Salvador Lyra, Cidade Universitária e Forne, chegam diversas denúncias sobre adolescentes que fazem programas. Segundo ele, as campanhas educativas foram intensificadas com a grande quantidade de flagrantes e a divulgação de casos. 

“Quanto mais as pessoas estão vendo os casos na televisão e os responsáveis presos mais denúncias estão chegando e nós estamos conseguindo banir essa prática”, afirmou Fernando. Para ele, a banalização da sexualidade entre as pessoas de baixa renda tem influenciado na prostituição de menores.