Na sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) desta terça-feira (17), o deputado Judson Cabral (PT) criticou a nota publicada na sexta-feira passada (13), na página do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed) em uma rede social, classificando-a de "desastrosa".

Na publicação, o Sinmed utiliza um tom agressivo ao falar sobre a chegada dos médicos cubanos ao Estado, e se refere aos colegas como profissionais que vieram “apenas por casa e comida, para ajudar a manter a ditadura em Cuba. Muitos vêm com vontade de ficar, de engravidar uma brasileira e enterrar Cuba no passado. Outros vêm pensando em fugir”, diz o texto.

O parlamentar destacou que a publicação agride toda a sociedade e principalmente às mulheres, ao supor alguns médicos cubanos irão tentar engravidar as brasileiras para poder ficar no país.

“Tenho uma boa relação com o presidente do Sinmed, Wellington Galvão, mas acho que houve um equívoco muito grande na divulgação dessa nota. Acredito que discutir o programa Mais Médicos é válido, mas descer a esse nível, com especulações dessa natureza, é lamentável", reforçou o parlamentar.

O petista disse ainda esperar que Galvão reavalie a mensagem. “Essa atitude não engrandece a categoria nem contribui para a discussão ou para a melhoria das condições da saúde pública do país”, reforçou.

Confira abaixo a nota na íntegra.

“Desejos de sorte aos médicos estrangeiros e à população

A primeira leva de médicos estrangeiros enviados pelo Ministério da Saúde para acabar com os problemas do SUS e da falta de médicos em Alagoas desembarca em Maceió neste fim de semana. No decorrer da semana passada, a diretoria do Sinmed foi consultada diversas vezes, por médicos e pela imprensa, sobre a realização de algum protesto na chegada dos estrangeiros – a maioria ou todos cubanos, ainda não se sabe. A resposta foi não! Não haverá protesto.

Que venham os cubanos, mercenários que aceitam ser escravizados, trabalhando apenas por casa e comida, para ajudar a manter a ditadura em Cuba. Muitos vêm com vontade de ficar, de engravidar uma brasileira e enterrar Cuba no passado. Outros vêm pensando em fugir. Alguns até podem ser médicos. A maioria, ninguém sabe. Aliás, o que se sabe mesmo deles é que não conhecem nosso idioma, desconhecem as doenças brasileiras e também não sabem quais os remédios usados no Brasil.

O Mais Médicos é um programa eleitoreiro, que tem tudo para dar errado. Mas a propaganda do governo conquistou a população, que agora só quer ser atendida por médicos com sotaque estrangeiro. Por isso, não há moti-vo para protestar. O governo quer, a população quer.

As entidades médicas e os médicos brasileiros sabem que não basta ter médicos para ter saúde. São necessários exames, medicamentos, leitos de internação e de UTI, cirurgias e uma longa série de outras coisas que os médicos estrangeiros não estão trazendo na bagagem e que falta na rede de assistência do SUS, não apenas nos postos de saúde de povoados e de cidades pequenas, mas até em importantes serviços de emergência das capitais – como é o caso do HGE de Maceió.

Os culpados do que vier a acontecer com a população em consequência do Mais Médicos é da Dilma e do Padilha, que não estão nem um pouco preocupados com a saúde da população e só pensam na eleição do ano que vem. Então, o Sinmed, ao invés de protestar, vai ficar na expectativa de que nenhum inocente morra por causa desse programa eleitoreiro. E ainda deseja sorte aos médicos estrangeiros e à população, pois vão precisar de muita.

PREFEITOS INDUZEM DEMISSÃO

Todos os dias o Sinmed recebe novas denúncias de médicos que estão com salários atrasados e acusam as prefeituras de suspender o pagamento para forçá-los a pedir demissão. A ideia desses prefeitos é aderir ao programa Mais Médicos, receber médicos estrangeiros e não ter mais que pagar salários para ter esses profissionais.

Apesar de o governo federal ter anunciado que as prefeituras que fizessem isso não poderiam ingressar no programa, as dispensas de médicos precarizados e a indução ao pedido de demissão de concursados aumentam sem que se faça nada.

Em Alagoas, as denúncias mais recentes envolvem os municípios de Pilar (onde o prefeito é médico), Jequié da Praia e Passo do Camaragibe”.