“A gente nunca acha que vai acontecer com a gente”. O pensamento comum entre pessoas que não esperam ser atingidas por determinadas situações ainda povoa as lembranças da jornalista Fernanda Lins e do aposentado Naudo Costa Seabra. Fernanda teve a residência onde mora com os pais, no bairro da Serraria, atingida por um incêndio e Seabra se deparou com uma surpresa desagradável ao voltar de uma viagem em 2004 e notar que a casa foi invadida por assaltantes, que levaram quase tudo o que havia no imóvel.
Nos dois casos, os donos das residências não possuíam seguros e tiveram que arcar com os prejuízos. Os pais de Fernanda gastaram com a reforma da casa, o que incluiu a compra de novos móveis e equipamentos eletrônicos. Seabra, que tinha se mudado há pouco tempo para o local, também precisou gastar para repor tudo o que foi furtado pelos criminosos.
Para evitar transtornos em caso de acidentes e roubos existem seguros no mercado para garantir que proprietários de imóveis sejam ressarcidos. Os produtos cobrem danos causados por incêndio, raio, explosões, furtos e roubos. Os seguros podem ser usados também em condomínios em situações que danifiquem a estrutura das áreas comuns aos moradores.

O incêndio na casa de Fernanda Lins aconteceu no dia 08 de fevereiro desse ano. A jornalista estava em Recife quando recebeu um telefonema da mãe contando o ocorrido. Ela conta que os pais relataram que perceberam fumaça no quarto do casal e decidiram deixar o imóvel, ao tempo em que acionaram o Corpo de Bombeiros.
Como a família não tinha seguro, teve que arcar com todas as despesas na parte da casa atingida pelas chamas. “A gente nunca pensou em seguro, porque sempre se tem o pensamento que isso não irá acontecer com a gente. Depois do incêndio, eu pesquisei sobre o seguro para saber como funciona, mas não chegamos a fazer”, disse Fernanda acrescentando que foram feitos reparos na rede elétrica e na estrutura das paredes após o sinistro.

O quarto da jornalista foi um dos mais danificados pelo fogo. Ela perdeu roupas e todos os pertences. Fernanda descreve o que viu quando chegou a casa depois do incêndio como um “cenário de guerra”. Ela afirmou que a mãe conta que uma cena que não sai da cabeça foi ver viaturas do Corpo de Bombeiros em frente à residência.
“Vinte e quatro horas depois do incêndio as paredes continuavam quentes. Foi horrível ver a nossa casa naquela situação. Em relação aos seguros, se as pessoas soubessem o quanto é importante todas fariam porque resguarda o patrimônio da família”, frisou Fernanda.
O sinistro na residência de Fernanda integra a lista de 68 ocorrências de incêndio registradas pelo Corpo de Bombeiros de Alagoas entre janeiro e agosto deste ano. O coronel Paulo Marques afirma que as causas para esse tipo de incidente em residência são as mais variadas, mas que curtos-circuitos em ventiladores são considerados os “vilões” na maioria dos casos. O oficial explica que a falta de manutenção contribui para o início das chamas.
“Quando o ventilador causa um incêndio, ele já apresentou vários defeitos, como por exemplo, quando para de funcionar, mas o motor continua ligado”, destacou Marques.
Segundo o coronel, além do ventilador, os sinistros também são causados por panelas esquecidas no fogão, vazamento de gás, e descuido com brincadeiras de criança. “Há algum tempo uma residência pegou fogo porque uma criança estava brincando com um fósforo no sofá. Em pouco tempo as chamas se alastraram”, disse.

Moradores há 10 anos no bairro Antares, na parte alta de Maceió, o casal Naudo Costa Seabra e Valderez Cavalcante sofreu um grande susto quando ainda estava completando o quarto mês na residência nova. Durante uma viagem de férias da família, eles receberam a notícia sobre o arrombamento da casa e resolveram reforçar a segurança no imóvel.
De acordo Seabra, na época eles não imaginavam passar pela situação. "Nós pensávamos que isso nunca iria acontecer. Mas depois do transtorno resolvemos fazer um seguro de residência e contratar o serviço de segurança particular", afirmou o aposentado. Da lição desprazerosa, ele afirma que aprendeu a manter o seguro ativado como forma de não “ficar no prejuízo”.
A rotina da família mudou totalmente devido à ativação de alarmes e os contatos com a central de vigilância. Ao relembrar o furto, Seabra acredita que tenha sido praticado por alguém que conhecesse o casal e sabia da ausência deles durante a viagem. O aposentado relata que mesmo com a segurança no imóvel, o medo de se deparar com um novo incidente ainda assusta a família.

Após contratar um seguro residencial, o casal aderiu ao produto para o carro da família. "Hoje sabemos que não estamos livres de acontecer qualquer coisa. Na última semana dois vizinhos foram assaltados quando chegavam em casa e os bandidos levaram tudo", relatou o aposentado.

Os roubos a residências aumentaram mais de 52% no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período no ano passado em Maceió. De acordo com dados da Secretaria de Defesa Social do Estado (Seds), em junho de 2012 foram registrados 50 assaltos, enquanto no mesmo mês deste ano foram 78. Os bairros com maiores ocorrências estão localizados da parte alta da cidade, principalmente no Tabuleiro do Martins.
De acordo com o delegado Alcides Andrade, titular da Delegacia de Roubos da Capital, as ações criminosas estão ocorrendo da mesma forma, quando as casas são invadidas, familiares rendidos como reféns e todos os objetos levados. “Infelizmente as pessoas estão ficando assustadas dentro do local que consideram o lugar mais seguro”, disse ele.
Como dica para tentar evitar um assalto, Andrade enfatiza o aumento da atenção tanto na saída quanto na chegada ao imóvel. O delegado explica que as pessoas precisam ter mais cautela, principalmente quando descem do veículo para abrir portão e ao verificar se há estranhos nas proximidades, o que pode oferecer riscos.

À época um dos administradores do condomínio onde morava, no bairro da Serraria, o correspondente bancário Alexandre Oliveira sugeriu que fosse feito um seguro para o conjunto de imóveis. O produto foi contratado e com uma apólice única, o valor dividido entre todos os condôminos.
“Na verdade, é algo que a legislação obriga. É muito importante porque o seguro cobre qualquer dano, como incêndio ou algo que ocorra dentro do condomínio”, afirmou Oliveira.
O correspondente bancário lembrou que um incêndio atingiu um dos apartamentos e os proprietários tiveram os gastos com a reforma do cômodo destruído, o quarto de um bebê, garantidos pela seguradora contratada. O valor, segundo ele, foi cerca de R$ 5 mil.
“Acho que um seguro é muito válido, pois a gente precisa se resguardar. É fundamental que as pessoas se informem, façam uma boa cotação e procurem a seguradora que couber no orçamento, mas acima de tudo que tenha credibilidade no mercado”, colocou Oliveira.

De acordo com o corretor Djaildo Almeida, a aquisição do seguro residencial passa pela questão cultural. Ele diz que a maioria dos seus clientes opta pelo produto para os carros em detrimento de investir um valor para ter tranquilidade em caso de acidentes ou roubos nos imóveis.
“As pessoas não têm esse hábito, o que passa por aquele pensamento de ‘isso nunca vai acontecer comigo’. A maioria faz seguro para os veículos, por conta do alto índice dos assaltos, mas não pensa em segurar o imóvel, que, na maioria das vezes, é conseguido após muito trabalho”, afirmou o corretor.

Almeida disse também que o seguro para residências é um investimento, assim como outros produtos do gênero, uma vez o proprietário do imóvel tem garantias não apenas em casos de incêndio, por exemplo, situação mais lembrada quando se fala nesse tipo de produto.
“O que mais as pessoas comentam é quando a casa incendeia, mas um seguro proporciona outros benefícios. Para se ter uma ideia, quem mora em condomínio pode ter garantido o pagamento de despesas se o cachorro morder um vizinho, por exemplo. Outro ponto que o seguro cobre são danos em veículos estacionados no condomínio ou reparos a serem feitos em caso de acidentes no prédio, como uma porta de vidro quebrada”, exemplificou o corretor.
Além da cobertura em caso de incêndios e acidentes, ao adquirir um seguro para residência pode-se optar também pelo serviço de assistência técnica, o que garante reparos em caso de problemas em aparelhos eletroeletrônicos. Almeida explica que o cliente pode agregar itens ao produto.
“É muito importante que um corretor habilitado seja consultado para que o interessado adquira um seguro que se adeque ao seu perfil e a quanto pode e quer pagar”, salientou Almeida. Sobre o valor investido, o corretor exemplificou que para um apartamento de cerca de R$ 100 mil são pagos aproximadamente R$ 150 por mês.
