Atualizada às 10h05
Os números são alarmantes e nenhuma medida adotada até o momento se mostrou eficiente para frear a situação. A violência persiste em andar de coletivo, fazendo com que funcionários e passageiros se tornem reféns da insegurança. Os assaltos a coletivos são ocorrências diárias no relatório do Centro Integrado de Operações (Ciods).
Nesta quarta-feira (11), o assassinato de um motorista enquanto seguia para o trabalho foi o estopim para que o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sinttro) novamente convocasse uma paralisação para cobrar segurança. A categoria definiu a suspensão dos trabalhos das 09h às 12h.
A manifestação começou pontualmente às 09h com os rodoviários ocupando com os veículos uma faixa das avenidas Fernandes Lima (Farol) e Durval de Góes Monteiro (Tabuleiro dos Martins). O corredor de ônibus deixa o trânsito lento nas regiões onde a manifestação ocorre, mas não houve interdições que impedissem o fluxo de veículos.
A categoria frisa que o protesto não tem a intenção de prejudicar a sociedade, interditando ruas, e que nem mesmo a paralisação do serviço teria esse propósito, mas que a ação de hoje era necessária para cobrar uma postura eficiente dos órgãos estaduais para restabelecer a segurança dentro dos coletivos, beneficiando não só motoristas e cobradores, como também os passageiros.
A execução de Ivanildo Alves da Silveira, 44, ocorrida por volta das 05h de ontem, no bairro dos Santos Dumont, é lembrada pelos companheiros de farda, que afirmam não suportar mais a situação, classificada por eles como inadmissível. Em entrevista ao CadaMinuto, o presidente do Sintrro, Écio Ângelo, lembrou que mais de quarenta assaltos a coletivos foram registrados somente este ano e que, em algumas das ações, motoristas e cobradores chegaram a ser agredidos. No final do ano passado um rodoviário foi morto dentro de um ônibus.
“Não podemos mais assistir a situação caminhar da forma como está e permanecermos de braços cruzados. Hoje, lutamos pela categoria e pela sociedade. Não é fácil sairmos de casa sem perspectiva de retorno. Ultimamente os assaltos que têm registros diários estão mais agressivos. Temos motoristas e cobradores sendo agredidos com coronhadas, sem apresentar resistência. Há casos em que cobradoras estão sendo molestadas pelos criminosos que passam a mão em suas partes íntimas”, revelou o presidente do Sintrro.
Ainda segundo Écio, as ações promovidas pela segurança pública até o momento não surtiram o efeito esperado. Fato que ele acredita ser motivado pelo baixo efetivo policial, já que um mapeamento das áreas e horários onde os crimes costumam ocorrer já foi realizado, mas as abordagens não ocorrem em um número satisfatório que amedronte a ação dos criminosos.
“Ontem tive uma reunião com o comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar para saber o que poderia ser feito em relação ao grande número de ocorrências e simplesmente tive a resposta de que o mesmo iria ver o que poderia ser feito, já que não havia policiais suficientes para atender a demanda. Isso é injustificável. Existem hoje 1.800 candidatos de 2012 na reserva esperando serem chamados para atuar”, completou.

Os candidatos da reserva se juntaram a manifestação para lembrar que estão a disposição e cobrar a convocação para os trabalhos.
O presidente do Sintrro informou ainda que o fim do protesto pode ser antecipado já que uma reunião entre a categoria e o chefe de gabinete do governo Álvaro Machado foi marcada para esta tarde, às 15h.



