Há quase sete anos os artesãos que trabalhavam no Cheiro da Terra estão sem um local definido para vender seus produtos. Ao longo deste período eles já se mudaram quatro vezes e desde 2010 estão instalados na Praça Sinimbu. Sem uma estrutura adequada, os 97 profissionais que ali trabalham reclamam do descaso do poder público.

Zuleida Costa, artesã explica que após serem retirados do Jaraguá, que já foi terceiro lugar onde estavam instalados, a prefeitura os levou para Praça Sinimbu lugar inadequado para uma feira de artesanato. “Nós ficamos surpresos porque aqui na praça já existia um comércio de carro, e o outro lado sempre foi ocupado pelos sem terra e nós não fomos felizes, aqui não tem lugar para estacionar os ônibus”.

 

Logo no primeiro ano de funcionamento, os artesãos conviveram com um acampamento dos sem terra por um ano, prejudicando ainda mais o acesso dos turistas ao local. “No primeiro ano e meio os sem terra ficaram acampados durante um ano, foi uma coisa terrível. Para o artesanato, aqui é impossível para gente sobreviver”. E desabafa: “depois de sete anos, nós somos persistentes e acreditamos no que nós fazemos”.

 

Esperançosa com a nova gestão municipal, ela afirma que o prefeito antes de ser eleito visitou o artesanato e assumiu um compromisso com a gente. “É nisso que nós estamos acreditando e nestes quatro meses nós estamos vivendo de esperança, acreditando que uma solução será dada, que a prefeitura vai encontrar um lugar digno para a gente continuar o nosso trabalho”.

 

As dificuldades são enormes, hoje, os artesãos pagam segurança, trabalham em sistema de rodízio e muitos para sobreviver fizeram empréstimo para sustentar a família. “Tem gente aqui nem dinheiro para condução tem, vem trabalhar a pé. Às vezes passamos semanas sem vender, algumas ações da prefeitura é que tem ajudado o nosso trabalho, porque o movimento aqui é quase nenhum”.

 

Ela revela que um pouco mais de dez barracas estão fechadas porque estas pessoas não têm como trabalhar. “Eles ficam aguardando alguma posição do governo para voltar ao seu trabalho”.

 

A sugestão da artesã é que eles sejam transferidos para o corredor Vera Arruda. “Nós cuidaríamos daquele espaço e daríamos vida. Eu não tenho dúvida que este seria o local ideal porque tem poucas opções de artesanato e tem muitos hotéis e pousadas, além de dar vida aquele local. É isso que eu vejo que daria muito certo”.

 

Quem também reclama do abandono é Zé Marinho, artesão há 10 anos. “Depois de tanto sofrimento, tanta luta e a paciência que tivemos com o poder público de resolver a nossa questão para que a gente tenha condição de vender os nossos produtos”.

 

Ele que tem a sua barraca instalada na praça reconhece que não há estrutura adequada para receber os turistas. “A gente precisa ter um lugar adequado para receber o turista que seja confortável, que na hora que chova e eles fique protegido, que tenha um banheiro descente para que ele leve uma boa impressão de Maceió”.

O artesão lembra de todo o investimento feito na feirinha que estava instalada no Jaraguá. “Durante quarenta dias construímos naquele lugar e tudo que foi construído, nós perdemos ficou para trás e para gente recomeçar aqui tivemos que construir tudo de novo”.

 

Seu Marinho explica que os gastos foram altos porque todo o local onde estão instalados atualmente precisou ser adaptado com a colocação de toldos, nivelamento de terreno e outros. “A gente vem nessa dificuldade há muito tempo, eu espero que o prefeito realmente resolva a nossa situação”.

 

Ele revela que as vendas diminuíram em até 90%. “É normal a gente passar aqui três, quatro, cinco dias sem vender um real. Um turista pode até aparecer aqui e levar R$20,00 em compras, mas isso aqui não é rotina”.

 

Aos 64 anos, ele desabafa: “existem momentos em que o artesão é valorizado e tem momentos que não vale nada. Eu me sinto abandonado porque tem 100 famílias aqui que tem seu emprego e querem apenas um local adequado”.

 

O Secretário Municipal de Planejamento, Manoel Messias, reconhece que o lugar é inadequado. “Não precisa ser do governo, não preciso ser técnico, qualquer um que passe por ali vê de cara que é uma situação inadequada e imagine como não enxerga isso o turista que é levado para ali”.

 

De acordo com o secretário inicialmente eram apenas 47 artesãos remanescente do incêndio do cheiro da terra e atualmente na praça sinimbu estão instalados 97 artesãos. “Era praticamente a metade disso quando vieram daquela situação”.  

 

Messias garante que esse assunto é prioridade para o município e para o prefeito Rui Palmeira. “Ele tem pedido que a gente olhe para este problema e aponte as soluções técnicas favoráveis”. No entanto, segundo ele, as feiras de artesanato em Maceió tem problemas generalizados, incluindo a sete coqueiros que não apresenta condições possíveis para aquela atividade.  

 

O secretário afirma que é preciso ter uma visão sistêmica desta atividade, o que facilitará uma solução global. “De repente a solução que se encontre, a área que se encontre favoreça a eles e os demais artesãos que estão na mesma atividade em condições pouco adequadas”.

 

O secretário conta que há o compromisso em resolver o problema e que algumas áreas já estão sendo avaliadas para viabilizar a transferência destes artesãos. Quanto à instalação deles no corredor Vera Arruda o secretário explica é que preciso um estudo mais detalhado para saber o impacto desta feirinha no local. “Nós temos que fazer uma analise daquela área e verificar a pertinência de ter uma ocupação dessa natureza”.