No período de 14 a 22 de setembro deste ano, estará em Maceió a Monja Budista Ani Zamba, que concederá uma série de ensinamentos, assim como um retiro de 3 (três) dias, em um sítio localizado à beira-mar em Ipioca.
Realmente uma preciosa oportunidade para entender o funcionamento de sua própria mente, relaxar e aprender a meditar com alguém que passou a maior parte de sua vida dedicando-se a isso.
A Venerável Bhikkuni Zamba Chözom, Ani Zamba, como é conhecida, nasceu em Londres em 1948 e tem praticado o Budismo há mais de 40 anos.
Na Ásia, estudou e praticou com alguns dos principais mestres de meditação do século XX, não só com mestres das quatro principais escolas do budismo tibetano, como também das tradições coreana, japonesa, chinesa, tailandesa e birmanesa. É detentora dessas linhagens, sendo uma das primeiras ocidentais a receber ordenação monástica quanto a elas. Detém o título de Gelongma, ordenação máxima para uma
monja budista.
Não-sectária, Ani Zamba foi aluna de alguns dos mais renomados mestres budistas de diferentes tradições, incluindo S.S. o Dalai Lama e seus tutores, Kyabje Dudjom Rinpoche e Kyabje Dilgo Khyentse Rinpoche, além de Thinley Norbu Rinpoche, Chagdud Tulku Rinpoche, Dzongsar Khyentse Rinpoche, Khantrul Rinpoche entre outros.
Seu caminho sempre se entrelaçou com muitos projetos sociais em diversos países, como recuperação de viciados em drogas na Tailândia, campos de refugiados no Camboja e no Lar para Destituídos e Moribundos da Madre Teresa de Calcutá, na Índia
Sua abordagem do Budismo é bastante direta, auxiliando as pessoas a transcenderem suas crenças pessoais e se conectarem com a realidade dos fenômenos. Seus ensinamentos focam-se na percepção mental como sendo a causa da felicidade e do sofrimento; também como sendo um meio para a realização espiritual. Segundo ela:
“Entender que nós mesmos criamos nossas próprias experiências significa que nós também podemos não criá-las, ou desconstruir as condições que produzem a confusão e o sofrimento. Primeiro devemos enxergar o mecanismo que distorce nossos hábitos de percepção. É necessário dissolver as condições que perpetuam nosso sofrimento, não criando mais condições para padrões neuróticos similares surgirem de novo e de novo"
Recentemente esteve em retiro fechado por 1 (um) ano, em uma pequena caverna em Mucugê, na Chapada Diamantina. Retiros extensos sempre foram importantes para ela, que passou grande parte de sua vida fazendo-os, seja em mosteiros, cavernas ou mesmo florestas. Desse modo, alternava entre períodos de retiros isolados e outros de ensinamentos e trabalhos sociais.
Apesar de ter alunos e grupos em diversas partes do mundo, agora ela vive no Brasil onde tem grupos e centros de meditação, do Rio de janeiro ao Amazonas, inclusive em Maceió. Atualmente, Ani-la dá continuidade ao Projetos Monte Azul Retiros e Visão de Dipamkara, ambos com sede em Mucugê, na Chapada Diamantina, estado da Bahia.
Em Maceió a programação será:
Dia 14/09/2013 (Sábado)- 16h30min - palestra: “Meditação Budista: instruções e prática” - - no Núcleo de Terapias - Av. Paulo Falcão, 525, Jatiuca - fone: 3235-5573 (Pela Av. Amélia Rosa entra na esquina da Galeria Club Lyon; imediatamente entra na 1ª Rua à esquerda - esquina da Presentaria e Hot Hot).
Dia 15/09/2013 (Domingo) – 15h às 19h – curso: “As 4 Qualidades Incomensuráveis: amor, compaixão, regozijo e equanimidade” - no Núcleo de Terapias - Av. Paulo Falcão, 525, Jatiuca - fone: 3235-5573 (Pela Av. Amélia Rosa entra na esquina da Galeria Club Lyon; imediatamente entra na 1ª Rua à esquerda - esquina da Presentaria e Hot Hot).
Dia 17/09/2013 (Terça-feira) - 19h30min - palestra: “A vida diária é o caminho da liberação: usando as circunstâncias e condições que surgem” - no Núcleo de Terapias - Av. Paulo Falcão, 525, Jatiuca - fone: 3235-5573.
Dia 18/09/2013 (Quarta-feira) - 19h30min - palestra: “Deixar ir, deixar ser: felicidade genuína” - no Núcleo de Terapias - Av. Paulo Falcão, 525, Jatiuca - fone: 3235-5573.
Dia 19/09/2013 (Quinta-feira) - 19h30min - palestra: “O que você realmente quer desta vida e por quê?” - no Núcleo de Terapias - Av. Paulo Falcão, 525, Jatiuca - fone: 3235-5573.
De 20 a 22 de setembro - retiro - “Os 6 Bardos - tornando sua vida o caminho para o despertar” – Sítio Chaparral – Guaxuma – Maceió – Alagoas.
INFORMAÇÕES: 9958-5416 ou 9101-6716 ou ainda pelo e-mail: [email protected]
Sites: http//www.dipamkaramaceio.blogspot.com/
Site do Projeto Visão de Dipamkara: http://www.dipamkaras-vision.org/ Podcasts: http://anizamba.podbean.com/
II - TEXTOS E ENTREVISTAS:
No site http://www.dipamkaramaceio.blogspot.com/ existem vários textos traduzidos, entre eles o seguinte:
A VIDA É A PRÁTICA
“Caros amigos,
Quanto mais praticamos, mais vemos que a vida é a própria prática. O professor nos dá as ferramentas para utilizar as constantes oportunidades que nos são apresentadas à medida que surgem a cada momento. Poderíamos aceitar essas condições como uma oportunidade para perceber o verdadeiro aspecto dos fenômenos, se nossa motivação sincera é despertar totalmente nossa mente. Se este for o caso, como podemos ser excludentes?
Como sempre digo no começo de meus ensinamentos – nós não podemos experienciar nada na vida sem a mente interpretar isso de um certo modo – então isso significa que a mente é a fonte de toda experiência, não importa o quê. Logicamente, se você deseja compreender as causas e condições que produzem certos resultados psicológicos, então você tem que buscar as respostas em sua própria composição psicológica.
O caminho Budista enfatiza a importância do conhecimento experiencial, não apenas do conhecimento intelectual. É necessário ser honesto e retornar à maneira como vemos a vida - a forma como reagimos a certos fenômenos - nossa visão pessoal da vida, é com isso que estamos trabalhando – nossa percepção em constante mutação, que é condicionada por nossas projeções. Tudo o que experienciamos é trabalhável por não ter substancialidade. Tudo o que experienciamos não passa de nossa projeção de como os fenômenos se nos parecem, dependendo de certas condições. O caminho é entender os dois aspectos da assim chamada verdade - aquilo que nos parece ser de certa maneira, sob certas condições, e a realidade da verdadeira natureza dos fenômenos – não dependente de condições - por vezes denominados os aspectos relativo e definitivo da verdade.
A espiritualidade é a forma como você vê a vida, e não um dia, um momento ou certo lugar no qual praticamos certos rituais, ou sentamos em uma almofada numa determinada posição. A espiritualidade é o caminho do despertar, e a própria vida nos fornece o combustível para nossa prática. Se aproveitarmos a oportunidade para o despertar que se apresenta através da atenção plena e do vislumbre sobre a natureza dos fenômenos, esta será uma oportunidade que se nos apresentará a todo instante.
Que este Natal possa trazer para todos vocês a alegria da generosidade. Em Tibetano, generosidade é Jimba, que literalmente significa abrir-se, compartilhar, deixar ir - dar sem expectativas - não apenas necessidades materiais, mas dar sem temor, mostrando aos outros que eles não precisam manter uma mentalidade afligida pela percepção de privação, uma vez que somos em essência ricos - em nossa natureza nada nos falta - de forma que podemos nos dar ao luxo de dar e dar ainda mais. Dar o Dharma - o caminho para o despertar - que é o mais precioso dos presentes, porque através dele podemos eliminar todas as condições que produzem o sofrimento e a confusão em cada e em todo ser.
Façamos deste Natal um tempo benéfico para todos. Com amor, Ani Zamba”
(Mensagem enviada por Ani Zamba ao yahoogroups em 23.12.2004)
ENTREVISTA COM ANI ZAMBA
Revista: Oráculo
Autora: Cássia M. Candra
Se as pessoas praticassem a meditação constantemente, seriam menos agressivas e gananciosas, assegura a monja Ani Zamba, que esteve em Salvador transmitindo ensinamentos do budismo tibetano, no Centro de Prática Budista Chagdud Gonpa Norbu Ling. Inglesa, ela residiu no Oriente por mais de 30 anos e foi aluna de mestres como Chagdud Tulku Rinpoche e de Tenzin Gyatso, sua Santidade o Dalai Lama. Ani detém o título de Gelongma, que é a ordenação máxima para uma monja e foi uma das primeiras ocidentais a tomar ordenação nas linhagens monásticas de tradições chinesa e coreana do budismo. Nesta entrevista ela fala que meditar se aprende através de um exercício constante e afirma que a meditação descondiciona a mente para que seja possível perceber a verdade da natureza das coisas. Assim é possível alcançar a iluminação.
Pingue-pongue/Ani Zamba
‘O benefício de uma mente calma e pacífica é extraordinário’
Oráculo – o que é meditar?
ANI ZAMBA – Em tibetano a palavra meditar significa a familiarização com uma outra maneira de ver. Neste momento a nossa percepção está coberta por diversos filtros de condicionamento que moldam a nossa maneira de perceber as coisas. A nossa
percepção no presente está distorcida. Por isso a maneira como interagimos na nossa vida cotidiana é bastante confusa. Desta confusão surgem emoções como a frustração e a irritação. A meditação primeiro vai dar métodos para você acalmar essa atividade superficial da mente. Então, quando a mente se acalma é possível que se olhe para esse mecanismo que cria este tipo de ilusão. Como não é claro para nós que a maneira como vemos as coisas seja análoga a uma ilusão ou a um sonho, você só percebe que foi um sonho quando desperta, porque quando você está sonhando tudo parece bastante real. A meditação nos ajuda a compreender todos esses mecanismos que nos impedem de perceber a verdade. E assim podemos simplesmente deixar a mente descansar na realidade dos fenômenos.
O – Sempre que se fala sobre meditação se refere ao esvaziamento da mente. Mas parece que isto se constitui em um exercício bem difícil, principalmente par aos ocidentais. O que a senhora poderia comentar a respeito?
AZ – Não faz diferença se você é ocidental ou oriental. Depende mais da maneira que nós programamos a nossa mente, previamente. A nossa mente foi programada para estar em constante atividade, então, abrir mão dessa atividade não é uma coisa fácil. Da maneira como a nossa mente está programada, atualmente, a consciência está habituada a se mover para as portas dos sentidos para apreender algum tipo de informação. Se ouvimos alguma coisa, a consciência se move para o sentido da audição, se nos tocam, ela se move para o sentido do toque e assim vai. Em um segundo momento a mente conceitual começa a interpretar a informação que foi apreendida através desta porta dos sentidos, porque se fomos olhar bem para esta informação, ela não é exatamente o que acreditamos que seja. Por exemplo: quando ouvimos um ruído, não ouvimos, de fato, um caminhão, um bebê chorando... Ouvimos as vibrações do ar e imediatamente a mente conceitual entra no processo e nos diz isso é um bebê, isso é um caminhão ou isso é o silêncio. Mas, para não perceber as coisas claramente, de fato achamos que ouvimos essas coisas. Isto é um exemplo da extrema atividade da mente. Você tem uma serie de informações entrando pelas portas dos sentidos, e, a mente agitada, tentando interpretá-las – isso é exatamente o condicionamento. Por isso, quando tentamos acalmar a mente, ela se distrai com essas informações sensoriais.
O – Então é preciso exercitar muito...
AZ – Sim, repetidas vezes talvez usando a respiração como suporte para a meditação, porque sua mente vai se distrair e a respiração o ajudará a se concentrar novamente. De fato, a mente ficou agitada através do exercício de repetição da agitação, então,
para que você consiga o contrário é também necessário que você exercite para que sua mente se acalme. O beneficio de uma mente calma e pacifica é extraordinário.
O – A senhora acha que se a meditação fosse comumente praticada pelas pessoas teríamos um mundo melhor?
AZ – Completamente, porque não haveria agressão nem ganância nem esse desejo constante de possuir. Seu coração retorna a sua posição original de ser aberto, compassivo. E também você adquire muita sabedoria para saber o que é benéfico e o que é nocivo. Atualmente não temos uma clareza disso e aí perseguimos uma coisa pensando que buscamos um benefício e é justamente o contrário disso. É como uma mariposa que vê uma vela, à noite, e esta lhe parece atraente, então ela voa em direção a vela. Isto lhe parece bom: a sensação é boa, aquilo soa bem... Mas de fato o resultado que você tem dessa busca incessante é que sua mente se torna bem insatisfeita, porque nenhuma dessas coisas é a resposta que você está buscando. Aquilo que a gente persegue não passa de um fenômeno temporário, não existe nada de fato ali. Nenhum destes fenômenos temporários é a causa da felicidade é preciso que compreendamos que a causa da felicidade e da infelicidade é a própria mente, a maneira como interpretamos as coisas. Vemos bem como isso funciona quando duas pessoas vivem a mesma situação e uma delas interpreta aquela situação como uma desgraça e, a outra, como um desafio, uma oportunidade de crescimento, para que possa ser útil às outras pessoas. Então, o nosso sofrimento e a nossa felicidade vêm exatamente da maneira que interpretamos o que acontece. E essa interpretação se dá através do nosso condicionamento que acontece através do nosso padrão passado. A meditação afrouxa esse condicionamento para que você possa perceber essa natureza fundamental das coisas. De maneira que você não seja mais controlado pelos seus hábitos, sempre reagindo de uma certa maneira diante de uma certa situação. Sua mente se liberta destas condições que, estão sempre mudando. Este é o significado da palavra liberação e o significado de iluminação é estar completamente desperto para a verdadeira natureza dos fenômenos.
O – O Dalai Lama passa essa mensagem de uma forma muito clara. Por que ele, a despeito dos demais lideres do Tibet, consegue fazer isso tão tranqüilamente? O que a senhora, que conviveu com sua Santidade, acha disso?
AZ – Sim, ele tem algo de especial: sabedoria e compaixão. Uma sabedoria extraordinária, que só é possível através de uma mente iluminada. Uma vez que a mente se liberta de todo esse condicionamento ela percebe como se comunicar claramente, e de forma efetiva, com todos os seres. E ele não está apresentando um sistema de crenças, ele está apresentando a verdade. Ele diz: examinem e vocês vão perceber. O Dalai Lama não diz “eu estou certo e vocês, errados”. Ele diz: existe uma outra maneira de perceber esta situação, dêem uma olhada. Ele sempre diz : você não deve acreditar em mim. E, de fato, no budismo os lamas, em geral, dizem: “não acreditem em mim”. Veja sua própria mente, perceba como ela reage em determinadas situações. Tudo é transformável na mente, não há nada com o que não se possa lidar. O Dalai Lama mostra a cada um seu verdadeiro potencial como ser humano. Não tem importância se você é budista, cristão, hinduístas... O que tem importância é o que está acontecendo em seu coração. Este ponto de vista transcende todas as crenças. O Dalai Lama ajuda as pessoas a se conectarem com a sua própria natureza não condicionada. Ele não está falando de um ponto de vista espiritual, mas a partir de sua própria experiência. Ele é o exemplo vivo de que ensina. É isso que toca as pessoas, porque ele vive o que ensina, de fato.
