A data para o julgamento do assassinato do modelo Éric Ferraz, morto a tiros durante uma festa de réveillon na cidade de Viçosa, ainda não foi marcada, mas temendo novas intimidações os familiares da vítima estão se mobilizando para pedir o desaforamento do júri. Em entrevista ao CadaMinuto, o pai de Éric, Edglenes Santos, afirmou que parentes sofreram diversas intimidações durante a realização das audiências de instrução do processo, quando tiveram que se descolar até Viçosa. 

Santos lembra que mesmo com a presença de policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) fazendo a escolta da família, alguns parentes dos acusados causaram tumulto. “Eu temo que o julgamento acontecendo naquela cidade a punição possa ser branda. Da última vez que estivemos lá, algumas pessoas nos afrontaram com um abaixo-assinado para que o policial fosse solto. Todas as vezes que precisamos ir lá, sofremos intimidações”, relatou.

O pai do modelo afirmou que nenhuma testemunha de acusação que ir para Viçosa prestar depoimento, com medo de sofre qualquer tipo de agressão. “A família deles (acusados) é toda de Viçosa e isso irá influenciar”, frisou Santos, acrescentando que o processo está parado.  

Santos revelou que irá cobrar do Ministério Público Estadual (MPE/AL) o andamento do processo e a definição para a data do Júri. "Não quero que o caso do meu filho fiquei igual ao caso da Ceci Cunha que demorou anos para ser julgado", disse. 

A morte de Éric Ferraz gerou grande repercussão na mídia devido à forma como ocorreu. O modelo teria se envolvido em uma discussão e acabou sendo atingido nas costas por disparos de arma de fogo efetuados por Judarley Oliveira.

O CASO

No dia 01de janeiro de 2012, durante a festa de final de ano no município de Viçosa, o modelo Erick Ferraz, que era natural de Marechal Deodoro, estava com a namorada e amigos, quando teria se estranhado com os irmãos Jaisley e Judarley Oliveira, que teriam ido tomar satisfações com o rapaz.

Após algumas discussões, vários tiros foram efetuados contra o modelo, que chegou a ser atendido, mas não resistiu aos ferimentos. Testemunhas afirmaram que o autor dos disparos foi Judarley, que teria usado a pistola do seu irmão Jaisley, que é policial civil.

Durante as primeiras investigações, surgiram informações de que duas armas teriam sido usadas no crime e os irmãos poderiam ter participado diretamente do assassinato do modelo. Judarley Oliveira foi preso oito meses  depois do crime, tempo em que irmão Jaisley, que é policial civil, permaneceu detido.

Durante os primeiros dias de investigação, o caso ainda deu lugar a uma falha do Instituto Médico Legal (IML), que não realizou os procedimentos corretos de necropsia no corpo de Erick, liberado para o sepultamento, sem a retirada das balas, o que dificultou o andamento da investigação.

Uma semana após ser enterrado, a Justiça autorizou a exumação do corpo no cemitério de Marechal Deodoro, onde muita confusão aconteceu, com o diretor do IML, Gerson Odilon e o delegado de Viçosa, Belmiro Cavalcante, responsável pelo caso, sendo questionados sobre a seriedade da investigação.

Após ser preso Judarley confessou o crime e afirmou que o irmão não teve participação.