O deputado Temóteo Correia (DEM) apresentou em plenário, na tarde desta terça-feira (03), uma certidão da Secretaria de Gestão Pública (Segesp) comprovando que ele não aderiu ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) em 1997. Em um discurso duro, ele criticou o colega João Henrique Caldas (PTN), que questionou a aposentadoria de Correia como servidor da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), e anunciou que irá representá-lo na Comissão de Ética da Casa.
O democrata atribuiu a JHC o fato de ter sido alvo de “notícias tendenciosas para denegrir sua imagem e atacar sua reputação”: “A gênese de todo esse carnaval, desse baile de máscaras está no João Henrique Caldas, que tentou enlamear a minha imagem e me execrar perante a opinião pública. Talvez não tenham ensinado ao deputado que mentira tem perna curta”, alfinetou.
Correia voltou a frisar que, embora tenha aderido ao PDV, nunca recebeu a indenização, continuando, portanto, atuando como servidor público durante 38 anos. O parlamentar disse que JHC agia movido pela obsessão de aparecer na mídia: “Seu tempo se expirou, deputado JHC. O show está terminando”.
Lista do PDV
Com uma cópia do Diário Oficial do dia 20 de maio de 1997, quando foi publicada a lista dos servidores que aderiram ao PDV, Temóteo Correia questionou as razões pelas quais João Henrique “ignorou” a presença de outros nomes conhecidos, a exemplo dos ex-deputados Cícero Ferro, Luciano Amaral, Galindo Pimentel e Cícero Amélio e do ex-procurador da Casa, Luiz Gonzaga Mendes de Barros.
“O deputado poderia ter ido a Segesp, ao Setor de Recursos Humanos desta Casa e até à justiça para quebrar meu sigilo bancário. Tinham três caminhos e ele optou pelo caminho do escândalo, da minha exposição, da desmoralização”, afirmou.
Em aparte, JHC argumentou que tratou de forma institucional o assunto, questionando oficialmente à Mesa Diretora sobre o fato de Correia figurar como servidor aposentado da Casa, mesmo tendo aderido ao PDV. “Pedi informações, apenas. Não é pessoal, é uma questão natural, estamos vivendo em uma democracia. Estou tranquilo, porque fiz o meu papel de parlamentar”.
Exaltado, Correia defendeu que JHC deveria se retratar: “Não aceito o seu atrevimento, sua petulância. O senhor me agrediu, me fez um grande mal e não aceito sua explicação”.
Em resposta, João Henrique disse que o colega não iria intimidá-lo e pediu para que Temóteo mantivesse a calma e o equilíbrio: “O debate precisa ser feito com tranquilidade. Vamos medir as palavras”.
Para finalizar o bate-boca, Correia pediu desculpas pela exaltação e anunciou que iria ingressar com uma representação contra JHC junto à Comissão de Ética da Casa de Tavares Bastos: “Vossa excelência fez um mal irreversível para mim”.
Correia recebeu a solidariedade dos deputados Maurício Tavares (PTB), Olavo Calheiros (PMDB), Jeferson Moraes (DEM), Joãozinho Pereira (PSDB), Ronaldo Medeiros (PT), Isnaldo Bulhões (PDT), Dudu Holanda (PSD), Inácio Loiola (PSDB) e Ricardo Nezinho (PMDB).
