Gritando palavras de ordem, integrantes dos movimentos sociais vinculados a Central Única dos Trabalhadores (CUT) "invadiram" a recepção da Casa de Tavares Bastos durante o protesto ocorrido na tarde desta quarta-feira (28). Policiais militares que fazem a segurança do Poder Legislativo ficaram a postos para que o grupo não chegasse ao plenário, onde a sessão não ocorreu devido ao apagão.
A presidente da CUT, Amélia Fernandes, chegou a subir na bancada da recepção, enquanto era aplaudida pelos manifestantes e pelos próprios servidores da Casa. Ostentando bandeiras dos movimentos sociais, o grupo entoava frases como "Assinatura Já!", cobrando as três assinaturas que faltam para a instalação da CPI que investigaria as denúncias de irregularidades na folha de pagamento da ALE.
"Ou para de roubar ou nós vamos ocupar", "Deputado deixe de roubar" e "A farra acabou, o povo já chegou" foram alguns dos gritos entoados pelos manifestantes. Os deputados petistas Judson Cabral e Ronaldo Medeiros, João Henrique Caldas (PTN) e o líder do governo na Casa, Edval Gaia (PSDB) acompanharam a movimentação até que a uma comissão foi recebida pelo presidente Fernando Toledo (PSDB), em seu gabinete.

No encontro, que contou com a presença de Cabral e Medeiros, os sindicalistas cobraram a instalação da CPI com participação popular e questionaram Toledo acerca das denúncias de irregularidades na movimentação financeira do Poder Legislativo. O grupo cobrou a abertura da "caixa preta" da ALE e classificou o escândalo de "escabroso".
Após ouvir os questionamentos e pleitos da comissão, Fernando Toledo afirmou: "Aqui não tem nada de ilegal. Tenho certeza que nenhum outro poder nesse Estado e nenhuma assembleia do Pais foi mais devassada que a Assembleia de Alagoas". Ele também voltou a dizer que os documentos entregues ao Ministério Público Estadual (MPE) pelo deputado JHC foram mal interpretados.

Toledo pediu paciência aos sindicalistas para aguardarem o posicionamento do MPE sobre as denúncias lembrando que, de forma inédita, 15 promotores foram designados para o caso. Em relação a CPI, o presidente negou que tenha pressionado seus pares para não assinarem o requerimento de abertura e garantiu que todas as contas da Casa de Tavares Bastos já estavam abertas: "Essa Casa não pode ser mais transparente do que já é".





