O Procurador Geral do Ministério Público Estadual (MPA/AL) afirmou que alguns nomes presentes nos extratos bancários da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) pertencem a pessoas “parasitas e da alta sociedade alagoana, que desconhecem até onde fica o prédio da ALE”. A afirmativa foi dada durante uma entrevista ao programa cidadania, na Rádio Correio, na manhã desta segunda-feira (26), onde Jucá falou sobre a investigação das denúncias apresentadas pelo deputado João Henrique Calcas (PTN).
Sobre a lista, que ficou conhecida como lista de ouro, o chefe do MPE/AL afirmou que não se assustou com o volume dos pagamentos, mas com os nomes na lista de beneficiados. Ele reforçou a importância da investigação, ressaltando que os documentos apresentados comprovam os pagamentos suspeitos na folha salarial da ALE.
“Assusta a quantidade de pagamentos, mas, o que nos deixa estarrecidos, são os nomes dos beneficiados. Pessoas que conheço, são parasitas, que não sabem onde fica ou nunca entraram na assembleia. Essas pessoas ganham altos salários, isso é revoltante”, disse.
Jucá reforçou ainda, que as investigações seguem a todo vapor e foram devidas em equipes para dá maior celeridade. “Tem uma equipe analisando a situação dos servidores efetivos, que são poucos. E tem outra equipe analisando a situação dos comissionados que é a maioria. Esses comissionados por sinal são muitos, uma relação extraordinária. Pessoas com sobrenomes pomposos e conhecidos na sociedade e recebem acima do teto estabelecido pela constituição de 1988”, afirmou.
As declarações vão mais além, quando o procurador geral do MP coloca a polêmica feita pelo deputado João Henrique Caldas, semelhantes à antiga discussão sobre o pagamento da Gratificação por Dedicação Excepcional (GDE), em 2012. “Podemos comparar este caso a GDE, que dobra o salário dos servidores. É uma gratificação, que temos de apurar se o servidor faz jus a essa gratificação, se ultrapassa o teto previamente estabelecido”, finalizou.
O esquema
Os extratos das movimentações financeiras da Casa de Tavares Bastos no ano de 2011 renderam vários desdobramentos e dores de cabeça para a Mesa Diretora. Conforme dados fornecido pela Caixa Econômica Federal (CEF), um servidor recebeu 14 salários – com valores médios entre R$ 1.400 e R$ 1.700 cada - no mês de janeiro e oito salários em cada um dos meses seguintes, de fevereiro a dezembro.
Com a variação nos valores pagos, em janeiro foram creditados na conta corrente de um servidor R$ 31.734,92. Em fevereiro e março, ele recebeu em torno de R$ 13 mil (cada mês) e entre abril e dezembro, R$ 9.700. O servidor dos 102 salários foi exonerado em março deste ano.
