O procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, está coberto de razão quando fala da existência dos “parasitas de luxo” na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.  Ou alguém aqui acredita que todos os comissionados da Casa de Tavares Bastos estão indo trabalhar? Alguém acredita que todos os efetivos suam a camisa para ter seus vencimentos ao final do mês? Há, na folha funcional da ALE, muita gente de bem, muito trabalhador honesto. Não podemos generalizar. Todavia, são inegáveis os fantasmas da casa assombrada. 

 

Fantasmas com direito a luxos. 

 

Ora, a lista divulgada pelo deputado estadual João Henrique Caldas, o JHC (PTN), mostra que repasses foram feitos a candidatos, prefeitos, empresários e pessoas - como afirmou Jucá - da “alta sociedade”, que tiveram seus nomes expostos em muitos veículos de imprensa e até mesmo no CadaMinuto. Será que eles foram trabalhar? Será que suaram o suficiente pelos seus vários repasses por mês? Será que são apenas nomes que escondem algo bem maior por trás? 

 

Imaginem o seguinte: é bem provável que a quantidade de repasses seja inversamente proporcional a quantidade de trabalho na Casa de Tavares Bastos. O “ponto eletrônico” proposto pelo procurador da Assembleia, Fábio Ferrario, até poderia comprovar isto. Mas não vai. Por qual razão não vai comprovar? Ora, os “comissionados de luxo” estarão protegidos nos gabinetes dos senhores deputados estaduais. São de responsabilidade de cada um. 

 

Cabe agora ao Ministério Público, ao identificar os fantasmas da casa assombrada - que desrespeita e muito o nome de Tavares Bastos - fazer a ligação com os seus “senhores”. Com aqueles que possivelmente lhes fornecem guaritas em troca da malversação dos recursos públicos. Por esta razão, pelo bem da transparência, urge que a Casa adote uma medida que não foi apontada pelo procurador Fábio Ferrario. Foi apontada por um deputado estadual: o Joãozinho Pereira (PSDB).

 

Trata-se da divulgação da lista de comissionados por gabinete. Pereira disse que faria isto em relação ao seu próprio gabinete. É um avanço se fizer. Que todos tenham a coragem de fazer. Em uma sociedade como a de Alagoas, ficará claro com a divulgação destes dados quem é o comissionado que de fato trabalha pautado pela honestidade e cumprimento da função e os que são fruto da troca de favores políticos, do nepotismo, das negociatas e até “laranjas” como se suspeita...

 

Existe - conforme informações de bastidores - suspeita de que até empréstimos foram pagos com a folha salarial da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Logo, está corretíssimo o procurador-geral de Justiça quando fala da necessidade de se investigar enxertos na folha de pagamento. Por isso, vale repetir, uma medida esclarecedora e de transparência a ser adotada pela Mesa Diretora seria a lista de comissionados por gabinete. 

 

Outro ponto na investigação dos enxertos na folha: saber a data de admissão e ter acesso ao processo de nomeação dos efetivos. Diante da ausência de concurso público na Casa de Tavares Bastos, eis aí informações que querem dizer muita coisa. Por razões óbvias, não dá para confiar em um recadastramento feito pela própria Mesa Diretora. Correto estará o Ministério Público Estadual (MPE) se for atrás destes dados. 

 

É assim que se separará os bons funcionários, os homens de bem, os íntegros que fazem parte do corpo funcional da ALE/AL, dos “parasitas de luxo” citados pelo procurador-geral de Justiça. Afinal, é importantíssimo que se evite a generalização. 

 

Agora, o que não dá mais é para o senhor presidente da Assembeia Legislativa do Estado de Alagoas insistir em tampar o sol com a peneira. O parlamento estadual caiu em descrédito. É muito ruim para a democracia. A função do parlamento é fiscalizar, ser combativo, ser harmônico e independente em relação aos outros ponderes. A Mesa Diretora tropeçou nas próprias pernas ao tentar explicar os dados de suas contas bancárias. 

 

Primeiro se falou em diárias e indenizações que foram repassadas além dos salários. Depois se culpou a Caixa Econômica Federal pelos repasses “errados”. Em uma versão mais recente, o parlamento estadual teria cometido o erro de pagar salários fracionados. Até agora explicação alguma foi consistente. 

 

O parlamento se mostra desorganizado? Ora, o problema maior é mostrar justamente que ele é organizado por demais com o objetivo de atender a uma finalidade específica que não é - evidentemente - o bem comum. Vejam bem, é justamente isto que pode ser comprovado. Uma organização que talvez seja secular...

 

Os parasitas talvez sejam o “lado mais fraco”. É preciso que o Ministério Público Estadual puxe o fio do novelo de Teseu para caminhar por este labirinto de informações. Ao final, pode ser que não se encontre o Minotauro, mas se tenha acesso a um banquete para poucos construído ao longo de uma história com elementos que ajudaram a ampliar o abismo social de Alagoas, entre ternos e gravatas, entre mimos e risos, entre tropeços e trapaças, entre dinheiro e sangue...não há como olhar a crise de agora sem refletir sobre as raízes que remetem ao nosso passado.

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