As Lagoas Mundaú e Manguaba sempre foram consideradas um grande paraíso ecológico e principais pontos turísticos de Alagoas, mas vêm sendo durante décadas vítimas da falta de políticas públicas, com a forte ameaça da poluição. Diariamente, são despejados dejetos, lixo e esgotos de sete cidades que margeiam o complexo lagunar, afetando diretamente a vida daqueles que dependem desse meio natural.

Se a paisagem começa a modificar com o assoreamento e falta de saneamento básico das comunidades, um problema ainda mais preocupante põe em xeque a profissão de milhares de pessoas. São os pescadores e marisqueiras que sobrevivem do comércio dos produtos retirados das lagoas e que já sentem no bolso a queda nas vendas e a falta de peixes e mariscos para serem comercializados.

Atualmente, segundo dados da Federação dos Pescadores de Alagoas (Fepeal), quinze mil pescadores que utilizam as lagoas como meio de sobrevivência são cadastrados junto à entidade e amargam, além dos prejuízos financeiros, a falta de perspectivas para ver o crescimento de um setor que, no passado, era motivo de orgulho para as famílias.

Eliane Conceição atualmente ocupa a presidência da federação e ainda sente esperanças para ver a situação ser modificada, crendo numa participação mais efetiva do poder público. Alguns números repassados por Conceição assustam tamanha a precariedade dessa categoria, que há anos não consegue celebrar as glórias de redes cheias de peixe e latões que esborram mariscos.

"Em todo o estado, são mais de 40 mil famílias que dependem do pescado - seja em açudes, mar, lagoas ou rios. Se no passado, sair de barco renderia por dia cerca de 10 toneladas de alimentos para o consumo e venda, atualmente nem metade é contabilizada pelos pescadores. O sururu, por exemplo, marisco bem típico de nossa região, é encontrado na maioria das vezes sem vida e aqueles que são retirados das águas pelas marisqueiras não atendem a demanda", conta a presidente, que também é filha de pescador.

O efeito é imediato: se o produto é pouco, é o consumidor quem acaba 'pagando o pato'. Ou seja, para comprar peixes ou mariscos é preciso desembolsar um valor altíssimo. E a questão vai mais além. Num estado rico em lagoas e que deveria ser autossustentável, sem o produto para comercializar em grande escala, é necessário importar, quando o correto seria a exportação.

A presidente da Fepeal relembra do passado, ao contar sua infância e a rotina do seu pai. "Foram dez filhos criados pela pesca. Meu pai saía por essa lagoa e chegava a trazer diariamente mais de 100 kgs de peixe. Era muita fartura, não só na minha casa mas também na vida de tantas outras famílias. Só que tudo isso acabou e agora a alegria deu lugar ao sofrimento, a tristeza, a descrença, o que pode ser visto no rosto de todas essas famílias", conta Conceição, em meio às lágrimas de quem vê a derrocada bem de perto.

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