A operação de fiscalização promovida pela Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), na manhã de hoje (22), teve como objetivo verificar a velocidade e o derramamento de chorume dos caminhões coletores que chegavam ao aterro sanitário. Após denúncia de moradores de comunidades circunvizinhas à central de tratamento de resíduos, a Slum intensificou a operação – iniciada na semana passada – com a participação da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) e o apoio de uma guarnição da Polícia Militar de Alagoas.

“Desde a semana passada, quando começamos a combater a situação, acredito que já resolvemos cerca de 70% dos casos”, explica Carlos Tavares, coordenador de fiscalização da Slum.

O problema atinge os moradores dos conjuntos Benedito Bentes II, Carminha, Frei Damião, Benício Mendes e 1? de Julho, e acontece em função da falta de manutenção na calha que recebe o chorume escorrido do lixo coletado. Caso haja algum furo ou ela não seja esvaziada a cada viagem ao aterro, o chorume pode escorrer em via pública, fato que configura crime ambiental.

“Configura crime desde a primeira gota de chorume derramada”, explica Júlio Dias, fiscal da Sempma. “Além disso, há a contaminação do lençol freático e poluição atmosférica em função dos odores exalados pelo chorume”, complementa José Soares, coordenador de fiscalização da Sempma. “A operação é de suma importância devido ao despejo do chorume estar atrapalhando o bem estar do morador de região”, aponta Rosivan Mendes, fiscal da Sempma.

As empresas foram previamente informadas sobre a operação. O derramamento de chorume vai ser notificado pela Slum e autuado pela Sempma. “Os carros em que forem encontradas irregularidades serão recolhidos”, informou Carlos Tavares. “Na hora em que descarrega a carga no aterro sanitário, o veículo dever ter por obrigação a calha onde está o chorume limpa para que ele não venha a derramar em vias públicas”, reforçou o coordenador da Slum.

Caso haja algum flagrante de derramamento de chorume em via pública, o veículo é apreendido automaticamente. A empresa é notificada para enviar outro transporte para retirar a carga e transportá-la corretamente, além de providenciar a limpeza da via. A Sepma emite auto de infração com multa e a Slum faz a notificação para que o carro só volte a circular após corrigir o problema.

Flagrante

Durante a operação de hoje, um poli-guindaste que carregava três caixas estacionárias foi notificado e autuado pelo derramamento de líquido em via pública e pelo tipo inadequado de transporte. Lodo e lama eram transportados sem a cobertura exigida e havia o escorrimento de líquidos proveniente das caixas. Como o material não era lixo e não produzia chorume, a empresa recebeu a multa e o veículo foi coberto e, em seguida, liberado.

Outro problema alegado pelos moradores da região é o excesso de velocidade. Para isso, a Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) ficou de fazer um estudo das vias no intuito de promover as devidas sinalizações e definir o limite de velocidade para as vias.

Para os moradores, que acompanharam e apoiaram a operação, a ação da Slum começa a dar resultado. Iraci dos Santos, moradora do conjunto Benício Mendes, reclama da poeira, mas reconhece que a situação melhorou depois que a empresa que administra o Aterro Sanitário começou a molhar as vias de acesso. O problema com o odor exalado pela queda do chorume também diminuiu após o início da operação. “Eu só vi derramar mesmo duas vezes”, diz Ranilson Saturnino, morador do conjunto Carminha.

A Slum confirma que vai continuar as operações por tempo indeterminado. As ações serão programadas periodicamente, em horários alternados. “Vamos fazer fiscalização à tarde, à noite e pelo dia, sem aviso prévio”, garantiu o coordenador Carlos Tavares.