O governador Teotonio Vilela afirmou nesta quarta-terça-feira que a população do Conjunto Selma Bandeira faz história em Alagoas por ter conseguido reduzir os altos índices de criminalidade, em parceria com a Polícia Militar (PM).
A afirmação foi feita na comemoração dos quatro anos de aniversário de instalação da Base de Polícia de Comunitária no conjunto e no próprio Estado, por ter sido o projeto-piloto dessa tipificação de policiamento, inaugurado no dia 12 de agosto de 2009, e que conseguiu reduzir em 75% os índices de crimes na comunidade.
“Vocês estão fazendo história na comunidade e no Estado, porque o Selma Bandeira tinha antes da instalação desta base de policiamento comunitário um dos maiores índices de violência da capital”, afirmou o governador. “Mesmo com as dificuldades que ainda se apresentam nesta comunidade, não resta outra coisa a não ser parabenizar a parceria de toda população com os policiais que compõem essa base”.
O governador lembrou que se trata de uma das estratégias que têm feito o sucesso da política implantada na área de segurança pública com o policiamento de proximidade, desde que o Estado inaugurou o primeiro Núcleo de Polícia Comunitária no Selma Bandeira.
“Essa forma de fazer polícia está dando certo porque o povo conhece o policial pelo nome, praticamente como um membro da comunidade e porque eles estão aqui todo dia, hoje e amanhã para mediar as pequenas ocorrências e prevenir casos de maior gravidade”, completou.
Várias autoridades e personalidades prestigiaram o aniversário da base, entre elas o secretário de Estado de Defesa Social, Dário César, que reafirmou o compromisso do governo em construir mais 25 bases de Polícia Comunitária em Alagoas - nove na capital e 16 no interior.
“É um caminho que não tem mais volta porque está dando certo. O Selma Bandeira está mostrando isso e assim vamos entregar mais 25 bases até 2014”, reafirmou o secretário.
Atualmente, além do Selma Bandeira, Maceió dispõe de cinco bases: Jacintinho, Vergel do Lago, Osman Loureiro, Conjunto Santa Maria e o Conjunto Carminha.
“Vale ressaltar nessa experiência ainda o excelente acolhimento que tivemos e estamos tendo da população do Selma Bandeira. E é nisso que todos devemos apostar e cujos frutos já estão sendo colhidos”, completou Dário César. O secretário entregou medalhas e troféus a meninos de um dos projetos de inclusão social desenvolvido pelos policiais da base comunitária.
Projeto-piloto
Nos quatro anos, a experiência do projeto-piloto de Polícia Comunitária em Alagoas no Conjunto Selma Bandeira — pertencente ao complexo Benedito Bentes e apresentado como uma das regiões mais violentas do Estado – já mostra resultados satisfatórios, apontando que esse pode ser um dos caminhos para a diminuição da criminalidade.
Em estudo logo após um ano de inauguração, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) chegou a apresentar aos policiais da Base do Selma Bandeira que o índice de violência havia caído em torno de 75% no conjunto, antes dominado por traficantes.
O projeto foi implantado oficialmente no dia 12 de agosto e contou a presença de diversas autoridades da segurança pública à época, entre elas o então secretário de Estado da Defesa Social, Paulo Rubim.
Coordenador da Base de Polícia Comunitária do Selma Bandeira, o sargento Hamilton Heliziário comanda 16 policiais no bairro e conseguiu implantar nesses quatro anos programas de integração e inclusão da comunidade, como os projetos “Tocando em Frente”, uma orquestra que engloba 40 jovens entre 10 e 14 anos, e o Bombeiros Mirins, nos três conjuntos cobertos pela Base: o próprio Selma Bandeira, o Conjunto Luiz Pedro III e o Conjunto Paulo Bandeira.
“Atendemos cerca de 10 mil pessoas incluindo os três conjuntos e graças a essa parceria com comunidade conseguimos reduzir a criminalidade em cerca de 75%”, comemora Heliziário.
A equipe é formada por 16 cabos e soldados e surgiu como modelo de segurança preventiva adotado pelo então Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e pelo método japonês Coban. Os militares selecionados receberam capacitação na área de Direitos Humanos e psicologia e de promoção de policiamento comunitário.
Os policiais atuam durante 24 horas, realizando um trabalho de caráter preventivo junto à população. Durante o dia, cada policial sairá às ruas para visitar os moradores a fim de conhecer as necessidades da comunidade. À noite, as equipes também ficam responsáveis pelo policiamento ostensivo, junto com militares do 5º Batalhão.