Apesar de ainda faltar três assinaturas de deputados para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de irregularidades na folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), o deputado Judson Cabral (PT) ainda não perdeu a esperança de conseguir o apoio dos colegas. Mesmo admitindo o grande poder que a Mesa Diretora exerce sobre os parlamentares, o petista acredita que a situação ainda pode mudar.

“A grande maioria tem compromisso com a Mesa e não com a CPI”, afirmou Judson ao ser questionado se a Comissão estaria fadada a não acontecer. O deputado disse também que a polêmica Gratificação por Dedicação Excepcional (GDE) é usada como moeda de troca pela Mesa Diretora para garantir o apoio dessa maioria.

Após a sessão ordinária desta terça-feira (20), o petista falou com a imprensa também sobre duas assinaturas que até pouco tempo eram dadas como certas, a de Jeferson Morais (DEM) e a de Marquinhos Madeira (PT). Judson revelou que Morais recuou em assinar o requerimento para instalação da Comissão, argumentando que, as medidas adotadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), como a criação de uma força-tarefa para investigar as denúncias, serão mais proativas e eficazes que a CPI, que criaria conflitos na Assembleia.

Já em relação ao colega de partido, Marquinhos Madeira, Judson foi enfático ao dizer que o parlamentar assinará o requerimento, já que essa é uma decisão partidária. “Eu não falei com o Marquinhos, que não tem comparecido as sessões, mas ele disse  ao Ronaldo Medeiros que a filha está doente. Considero a assinatura dele como certa”, destacou.

Cobrança

Durante a sessão da tarde desta terça-feira (20), Cabral fez um requerimento oral solicitando que a Mesa Diretora coloque três Propostas de Emendas à Constituição em votação. Uma das PECs, de autoria do petista, que proíbe a reeleição para a presidência da Casa de Tavares Bastos, está engavetada desde dezembro de 2011.

No grupo das PECs engavetas estão ainda a de autoria de Ronaldo Medeiros (PT), que proíbe a antecipação das eleições para a Mesa Diretora e a de autoria de JHC, propondo que o pleito ocorra de forma individual, por cargos, e não em chapa completa, como no modelo atual.

O petista também cobrou que a Mesa Diretora reúna os deputados para explicar as medidas que estão sendo adotadas por recomendação do procurador-geral da Casa, Fábio Ferrario. "Continuamos sendo pautados pela imprensa e por notas técnicas", finalizou.

Afastamento

João Henrique Caldas, o JHC (PTN) disse que o grupo oposicionista irá avaliar se insiste na ideia da CPI que, segundo ele, vem perdendo força, ou busca outros instrumentos, a exemplo de um pedido oficial de afastamento da Mesa Diretora pela via administrativa. Ele também não descartou que a solicitação seja feita por meio judicial.

A questão é que, mais uma vez, o requerimento não prosperaria, já que, segundo o Regimento Interno da Casa, são necessárias 14 assinaturas para que ele fosse colocado em prática, número ainda distante de ser obtido pelo grupo.

Assim como Judson Cabral (PT), JHC afirmou que a GDE era uma das “moedas” utilizadas pela Mesa Diretora para garantir o apoio da maioria.