O Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) atendeu ao pedido do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, Thiago Bomfim, e concedeu a segurança particular para o deputado João Henrique Caldas, o JHC, responsável pela publicação de documentos referentes às denúncias de supostos desvios públicos na Assembleia Legislativa de Alagoas.
Bomfim ressaltou que o pedido de segurança é para que o processo de investigação sobre as denúncias ocorram de forma tranquila e firme. O presidente do Conseg, juiz Maurício Breda, votou contrário ao pedido de segurança para JHC, afirmando que não ficou comprovada nenhuma ameaça ao parlamentar.
A promotora Karla Padilha também foi beneficiada com segurança particular. O pedido foi feito após a promotora ter oferecido uma denúncia contra o ex-prefeito de Traipu, Marcos Santos. No dia da prisão, Santos atribuiu sua prisão à prefeita Conceição Tavares e à promotora de justiça.
Ele chegou a afirmar que as duas atuaram politicamente para efetivar a sua prisão.
Mais um desvio milionário
Com exclusividade, o CadaMinuto teve acesso a parte do documento que revelava que um servidor comissionado da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) recebeu 102 salários em 2011, totalizando R$ 145.468,68. Segundo o extrato fornecido pela Caixa Econômica Federal (CEF), o referido servidor recebeu 14 salários – com valores médios entre R$ 1.400 e R$ 1.700 cada - no mês de janeiro e oito salários em cada um dos meses seguintes, de fevereiro a dezembro.
O chefe do MPE, Sérgio Jucá, recebeu a denúncia do deputado no dia 1º de julho. O CD entregue continha uma lista com o nome de servidores que receberam pagamentos irregulares e que não foram contabilizados em 2011, superando os R$ 7 milhões. Após impresso, o calhamaço era de mais de cinco mil páginas, que foi dividido em nove volumes.
Em recente entrevista ao CadaMinuto, Jucá disse que ficou revoltado com os nomes de pessoas influentes e empresários alagoanos que estavam na relação. “É revoltante e vergonhoso. Um verdadeiro insulto à população”, afirmou na ocasião.
Após publicar uma portaria onde convocou a Mesa diretora da ALE a se manifestar em 15 dias acerca das denúncias, Jucá avisou que as investigações são sérias e que o MPE está disposto a investigar para achar o ‘fio da meada’.
Entre os questionamentos a serem esclarecidos pela Mesa Diretora da ALE estão: pagamentos a servidores fantasmas e mortos, pagamentos de altos salários a parentes próximos (a exemplo de pai e filho), gratificações e transferências não detalhadas.
Ao receber o material da CEF, João Henrique Caldas concedeu entrevista coletiva à imprensa, relatando indícios do desaparecimento de R$ 4,7 milhões dos cofres da ALE, mas, segundo ele o montante pode ser bem maior caso entrem nesta conta as gratificações pagas irregularmente.
Em resposta, a Mesa Diretora da ALE afirmou, por meio de Nota Oficial, que os valores questionados pelo deputado eram destinados ao pagamento de empréstimos consignados dos servidores.
