A cobrança feita pelo deputado Judson Cabral (PT) para que a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) preste esclarecimentos aos demais parlamentares acerca das denúncias que envolvem o Poder Legislativo, rendeu um longo debate na tarde desta quarta-feira (07), no plenário da Casa de Tavares Bastos. 

Cabral disse que, embora tenha cobrado desde ontem (06) a realização da reunião, a Mesa Diretora continuava devendo explicação ao parlamento. O petista sugeriu que, após a sessão ordinária de hoje, os deputados se reunissem por conta própria para discutir possíveis encaminhamentos, entre eles a coleta - que deve ter início na quinta-feira (08) - de assinaturas para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sugerida pelo deputado Olavo Calheiros (PMDB). 

“Não há nenhuma manifestação convincente do parlamento alagoano. Com o silêncio da instituição, continuamos todos sob suspeita”, desabafou, acrescentando que, se for o caso, irá encabeçar a lista para a criação da CPI com o objetivo de investigar as denúncias que pesam contra o Poder Legislativo. “Estou cobrando porque o tempo urge. A imprensa tem informações e nós não temos. Estamos esperando o quê? Que invadam a Assembleia?”

Sem caixa preta 

Em aparte, Ricardo Nezinho (PMDB) também cobrou a realização da reunião, mas defendeu a capacidade de diálogo da Mesa Diretora e destacou um lado positivo no escândalo: “A caixa da preta foi escancarada, por meio do volume de informações contidas nos extratos bancários. Hoje, não se pode mais dizer que existe caixa preta aqui”.

Nezinho sugeriu ainda que o próprio presidente Fernando Toledo (PSDB) solicitasse, em nome da Casa, proteção para o deputado João Henrique Caldas (PTN). “Ele (JHC) não diz de quem quer se proteger e somos 27 deputados. Que a própria Casa peça proteção para o deputado irá resguardar a todos nós”. 

Também em aparte, Marcelo Victor (PTB), 2º secretário da ALE, resumiu que não passavam de “especulações” todas as denúncias veiculadas pela imprensa a partir da análise dos extratos bancários do Poder Legislativo entre os anos de 2010 e 2012. O parlamentar sugeriu que, a partir de agora, os extratos sejam publicados na página eletrônica oficial da Casa e defendeu que, para se reunir com o presidente da Casa, os deputados não precisavam de convocação. 

Bobos da corte 

Em mais um de seus discursos peculiares, Temóteo Correia (DEM), criticou o que classificou como “espalhafato”, a desunião entre os deputados e a postura de JHC. “O problema de JHC é com a Mesa. Ele devia ter entregue os extratos a todos nós. Quem tem mais valor? A mídia, ou a gente, que faz parte dessa Casa?”. 

Correia também usou de ironia para reclamar da falta de informações por parte da Mesa Diretora: “Toledo (Fernando Toledo) nunca disse que a Assembleia tinha funcionário da ‘Tailândia’ ou Austrália... Todo mundo sabe agora que a família do Toledo está toda aqui na Assembleia, mas ele disse que está tudo dentro da legalidade. Nós estamos fazendo papel de bobos da corte e isso não vai ter um final feliz”. 

Já Jeferson Morais (DEM) usou a ironia contra João Henrique Caldas ao destacar que o parlamentar entendia de marketing. “Hoje, 80% da mídia na área política é destinada ao JHC”, apontou, desacreditando a suposição de que estejam querendo matar o colega de parlamento. Morais também mandou um recado sem destinatário claro: “Duvido que Assembleia tenha fiscalizado qualquer órgão público deste estado. E o nosso papel de fiscalizador?”.

Jota Cavalcante, Ronaldo Medeiros, JHC e Olavo Calheiros (PMDB) também se pronunciaram durante a sessão. “Aqui funcionou como um império, um reinado, cuja moeda é a GDE (Gratificação de Dedicação Exclusiva)”, alfinetou Calheiros, cobrando transparência da Mesa  Diretora.