Após sugerir, em plenário, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias em relação às supostas irregularidades nas contas da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), o deputado Olavo Calheiros (PMDB) reforçou a sugestão em entrevista à imprensa na tarde desta terça-feira (06).
Segundo ele, se a CPI não for adiante, o caso deve ser levado, pelo menos, à Comissão de Fiscalização e Controle do Poder Legislativo. “Os desdobramentos das denúncias estão apenas começando e o presidente Fernando Toledo não apresentou números, nem dados. O parlamento não pode estar omisso, não podemos ser meros leitores do que sai nos jornais”, frisou.
Em entrevista coletiva no final de julho, em Maceió, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que é irmão de Olavo, já havia defendido que a ALE esclarecesse as denúncias sobre sua movimentação financeira. “Se há algo que mudou no Brasil é a busca por transparência. O PMDB quer o esclarecimento por parte da Assembleia Legislativa”, destacou, em nome do partido.
Afastamento
Também após a sessão ordinária desta terça-feira, João Henrique Caldas (PTN), disse que, embora também tenha cogitado a criação de uma CPI, acredita que seja complicado abrir uma Comissão para investigar a própria Casa. “A Assembleia tem que ser passada a limpo, agora vamos estudar os instrumentos para isso”, frisou.
O parlamentar voltou a defender o afastamento imediato da Mesa Diretora durante as investigações. “A Casa perdeu a credibilidade e, diante de indícios fortíssimos de irregularidades, a tentativa da Mesa de permanecer no poder prejudica a apuração dos fatos”.
Em plenário, o deputado Fernando Toledo (PSDB) afirmou que irá concluir o mandato como presidente da Casa de Tavares Basto. “Não vamos baixar a cabeça. Vamos prestar todos os esclarecimentos da movimentação financeira do parlamento alagoano”
Questionado sobre os possíveis processos que o presidente da ALE irá mover contra ele, JHC disse que estava tranquilo, já que não cometeu crime algum. “Eu posso falar, porque tenho imunidade parlamentar para isso”.
Sobre a reclamação – feita em plenário por Toledo - de que ele não teria procurado a Mesa Diretora antes de tornar as denúncias públicas, João Henrique destacou que, desde 2011 protocolou inúmeros requerimentos solicitando informações à presidência com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo ele, nenhum dos pedidos foi atendido.


