Atualizado às 16h38.

O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Fernando Toledo (PSDB), falou, na sessão desta terça-feira (06), pela primeira vez em plenário sobre as denúncias de irregularidades na folha de pagamento da Casa de Tavares Bastos feitas pelo colega de Parlamento, João Henrique Caldas. Toledo voltou a afirmar, o que já havia dito em entrevistas à imprensa, que a atitude de JHC foi precipitada.

“Em nenhum momento, o deputado João Henrique Caldas nos procurou para saber de nada, ele apenas solicitou as informações para a Caixa Econômica, referentes à movimentação financeira da Assembleia de 2010 a 2012”, colocou o presidente da ALE.

Toledo disse que pensou diversas vezes antes de fazer o pronunciamento, já que possui um “histórico pacificador”. Ele garantiu que todas as denúncias já foram rebatidas junto ao Ministério Público e reforçou não ter dúvidas de que tudo o que foi dito por João Henrique será esclarecido.

“Vamos mostrar ao Ministério Público, à Receita Federal, à Polícia Federal e a quem quer que seja que estamos dentro da legalidade. Vamos passar por tudo isso”, frisou.

Sobre João Henrique Caldas, Toledo revelou que o colega terá que responder nas esferas criminal e civil pelos “ataques” proferidos. “Foi uma coisa ferrenha em cima de mim. Meus advogados já foram acionados para tomar as providências cabíveis, já que foram acusações gravíssimas. Cada um sabe de onde vem e estou muito tranquilo em relação a tudo o que está acontecendo”, destacou.

Toledo disse ainda que, nos próximos dias, o novo procurador da Assembleia, Fábio Ferrario, irá conceder uma entrevista coletiva para esclarecer todos os pontos apresentados  nas denúncias. 

 “Justificativa não foi convincente"  

Logo após o discurso do presidente da Mesa Diretora, o deputado Judson Cabral afirmou que a “justificativa”  de Toledo não foi convincente e solicitou que uma reunião fosse feita com todos os líderes partidários da Casa de Tavares Bastos para que as contra-provas fosse apresentadas. “Sinto-me incomodado, envergonhado, mas com a obrigação de dar uma satisfação à sociedade”.  

O petista repudiou a falta de atitude do presidente da Casa em deixar de reunir as lideranças. Judson voltou a afirmar que irá ajuizar um pedido de afastamento da Mesa Diretora, caso as provas apresentadas não esclareçam as denúncias. “Não vou entrar na defesa de A ou B, mas não posso admitir que todos sejam achincalhados e desrespeitados”, colocou o petista. 

Sobre a demora do posicionamento da  Presidência da ALE sobre as denúncias, Judson afirmou que o tempo já passou  e que não é preciso esperar mais para que seja apresentada a documentação. “Não há mais tempo para esperar. O limite dessa Casa é o mesmo da sociedade. O que está em jogo é a credibilidade da instituição”.

Em aparte, Jeferson Morais concordou com o pronunciamento de Judson e também se mostrou indignado com a ausência da contraprova da Mesa. João Henrique Caldas, autor das denúncias, aconselhou aos colegas a “terem cuidado” com o que é dito em plenário.

“Aguardem os próximos capítulos. Esse momento é para se ter cuidado com o que diz, para não se complicar depois. Isso é apenas a ponta do iceberg”, afirmou JHC.