Quase dois meses se passaram e um grave problema dos esgotos numa das mais movimentadas avenidas da orla de Maceió, a Amélia Rosa, continua sendo uma dor de cabeça para moradores e comerciantes da região. A situação foi denunciada pelo CadaMinuto em 04 de junho, mas a água fétida segue jorrando como se fossem fontes pelas ruas.
O local é bastante conhecido por turistas pela grande concentração de bares e restaurantes da capital, além de pontos comerciais, como boutiques e lojas de roupas, frequentados pelos nativos. A reclamação se torna mais intensa nos períodos da tarde e noite, quando é possível perceber que a água do esgoto corre com maior volume.
Um morador da região, que prefere não se identificar, voltou a reclamar do descaso do setor público. Além do mau cheiro, ele teme que a água suja e contaminada que segue para o mar ocasionado sérios problemas de saúde a população. O medo de se torna ainda mais intenso devido os recentes casos de diarréia e mortes registrados no interior de Alagoas justamente por suspeitas de água contaminada.
“Aqui é uma região turística, bastante habitada e a população é que vem sofrendo com esse problema ainda não solucionado. Nossa preocupação é que essa água suja contamine a água que nós utilizamos e provoque casos de diarréia parecidos como os registrados no interior com várias mortes. Não conseguimos ficar na porta de casa por conta do mau cheiro e até agora a Casal [Companhia de Saneamento de Alagoas] não trouxe uma solução para o caso”, contou o morador.
Outro ponto citado pelo morador é referente à poluição do mar de Jatiúca. Como a água segue pelo esgoto até a praia, as placas de ‘imprópria para banho’ deveriam ser afixadas para impedir que turistas frequentam essa faixa litorânea e levem doenças como lembranças de Maceió. “Como a Casal não mostrou uma solução, estamos pretendendo ir ao Ministério Público para que sejam adotadas as medidas cabíveis”, completou.
Denúncia antiga
Na denúncia feita em junho, o CadaMinuto conversou com Josuel Canuto, gerente de um restaurante que fica localizado em meio às saídas dos esgotos. Ele contou que foram enviados diversos ofícios à Casal em busca de soluções e a empresa informou que o duto está entupido. Segundo Canuto, a companhia enviava pelas manhãs veículos para fazer a limpeza nas tubulações, mas não havia êxito nessas ações porque o maior fluxo de pessoas é justamente a partir das 13h, quando movimento das cozinhas nos estabelecimentos comerciais aumenta.
Apesar do paliativo, os empresários começavam a amargar prejuízos financeiros colocando em xeque a sobrevivência dos negócios na Amélia Rosa. Quem chega aos espaços normalmente prefere ficar em mesas instaladas dentro dos estabelecimentos, já que do lado de fora o odor é insuportável. Os prejuízos num dos estabelecimentos já era superior a R$ 25 mil.
Casal afirma iniciar intervenções em ruas
Enquanto moradores e comerciantes reclamam da inércia da Casal, o órgão afirma que as providências para colocar um ponto final no caso já estão sendo adotadas. Segundo a assessoria de comunicação, para resolver o problema de esgoto na Avenida Amélia Rosa algumas intervenções em ruas foram iniciadas a exemplo da Rua Manoel Ribeiro e José Cabral Acioli. “O transbordamento das fossas naquela região são reflexos de entupimentos em outros pontos, por isso é um trabalho demorado, mas que com o tempo será resolvido”, colocou o assessor José Francisco Alves.
Uma das causas desses entupimentos, de acordo com a assessoria, é a grande quantidade de óleo de cozinha jogado no sistema coletor de esgoto pelos restaurantes. Com isso, há uma obstrução nos tubos, já que o óleo é petrificado e interfere no fluxo do esgoto. “Infelizmente essa é uma situação comum, mas que até agora não havia afetado diretamente o sistema. A Casal não descarta a possibilidade de iniciar uma campanha educativa para evitar que o óleo continue sendo jogado na rede”.
A Casal não determinou prazos para concluir os trabalhos.


