A documentação recebida da Caixa Econômica Federal (CEF) referente às contas da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) será entregue, amanhã (02), pelo deputado estadual João Henrique Caldas ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, Thiago Bomfim.
A iniciativa do parlamentar tem como objetivo fazer com que a entidade, bastante conhecida na luta contra a corrupção, acompanhe de perto o desenrolar do caso, que já está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual. O encontro,segundo a assessoria da entidade, está marcado para as 9h.
Com exclusividade, o CadaMinuto teve acesso a parte do documento que revelava que um servidor comissionado da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) recebeu 102 salários em 2011, totalizando R$ 145.468,68. Segundo o extrato fornecido pela Caixa Econômica Federal (CEF), o referido servidor recebeu 14 salários – com valores médios entre R$ 1.400 e R$ 1.700 cada - no mês de janeiro e oito salários em cada um dos meses seguintes, de fevereiro a dezembro.
O chefe do MPE, Sérgio Jucá, recebeu a denúncia do deputado no dia 1º de julho. O CD entregue continha uma lista com o nome de servidores que receberam pagamentos irregulares e que não foram contabilizados em 2011, superando os R$ 7 milhões. Após impresso, o calhamaço era de mais de cinco mil páginas, que foi dividido em nove volumes.
Em recente entrevista ao CadaMinuto, Jucá disse que ficou revoltado com os nomes de pessoas influentes e empresários alagoanos que estavam na relação. “É revoltante e vergonhoso. Um verdadeiro insulto à população”, afirmou na ocasião.
Após publicar uma portaria onde convocou a Mesa diretora da ALE a se manifestar em 15 dias pelas denúncias, Jucá avisa que as investigações são sérias e que o MPE está disposto a investigar para achar o ‘fio da meada’. A Casa de Tavares Bastos tem até o dia 06 de agosto para dar um posicionamento referente às denúncias.
Entre os questionamentos a serem esclarecidos pela Mesa Diretora da ALE estão: pagamentos a servidores fantasmas e mortos, pagamentos de altos salários a parentes próximos (a exemplo de pai e filho), gratificações e transferências não detalhadas.
Ao receber o material da CEF, João Henrique Caldas concedeu entrevista coletiva à imprensa, relatando indícios do desaparecimento de R$ 4,7 milhões dos cofres da ALE, mas, segundo ele o montante pode ser bem maior caso entrem nesta conta as gratificações pagas irregularmente.
Em resposta, a Mesa Diretora da ALE afirmou, por meio de Nota Oficial, que os valores questionados pelo deputado eram destinados ao pagamento de empréstimos consignados dos servidores.
