A visita do Papa Francisco que veio ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) se encerrou neste domingo (28), mas as suas colocações ainda ecoam em diversos segmentos da sociedade.  O pontífice em uma de suas declarações afirmou que os gays “não devem ser marginalizados, mas sim integrados à sociedade”.

Diante dessa afirmação do chefe da Igreja Católica , Nildo Correia, presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL) lembrou que “a igreja já errou muito no seu papel de instituição formadora de opinião. Muitos ainda possuem pensamentos arcaicos mas talvez este novo Papa possa quebrar com essa cultura milenar”.

Durante muito tempo os homossexuais foram tratados como pessoas que estavam à margem da sociedade comentou Nildo, destacando ainda que a postura do Papa pode sim vir a repercutir de forma positiva na comunidade. “A diversidade sexual existe e sempre existirá. É preciso apenas que as pessoas respeitem os homossexuais e a postura do líder da Igreja Católica com certeza traz uma contribuição extremamente positiva”, defendeu o presidente do GGAL.

Integração

Ainda sobre o homossexualismo o Papa Francisco disse à imprensa antes de seu embarque de volta ao Vaticano, que "o catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas integrados à sociedade”.

O pensamento do religioso é ratificado pelo consultor de Cidadania e Direitos Humanos para a população LGBT e do Pró-Vida, Dino Alves. “É de se admirar a postura diferenciada e humilde do Papa Francisco. Em suas palavras sobre o tema sempre foram abordados comportamentos de fomento à tolerância. A sexualidade gay não impede ninguém de ser católico”, reforçou Dino Alves.

Dados revelam que 42% dos casais gays são de religião católica. Com essa nova vosão promovida pelas palavras do Papa acreditamos sim que “será aberto um canal de diálogo e essa afirmação irá reduzir a violência praticada pela exclusão. É possível sim acolher e respeitar. É um momento de renovar os pensamentos”, destacou Dino Alves.

Marcha das Vadias

Numa demonstração democrática ainda durante a JMJ um grupo de pessoas promoveu e participou da Marcha das Vadias. O movimento surgiu em 2011 em Toronto, no Canadá, com o objetivo de promover o protesto contra o machismo e contra o estupro à mulher. Combatendo o mito de que as mulheres seriam estupradas por usar roupas provocantes, o movimento, sem seu cerne sugere que as manifestantes vistam roupas mais sensuais como lingerie, salto e outros elementos femininos.

No sábado (27), mais de duas mil pessoas estiveram nas ruas de Copacabana, no Rio de Janeiro para participar da Marcha das Vadias 2013. Além de palavras de ordem a favor da descriminalização do aborto e da união homossexual também gritaram palavras de ordem conta  a Igreja Católica. Alguns manifestantes mais ousados com o corpo completamente nu quebraram estátuas de Nossa Senhora de Aparecida e Nossa senhora das Graças. Já outros que pareciam também estar com o intuito de chocar a comunidade colocaram crucifixos para cobrir as partes íntimas, demonstrando total desrespeito com a Igreja.

Diante dessa postura bastante radical dos manifestantes da Marcha das Vadias, Dino Alves fez questão de destacar que “essas pessoas não representam o movimento gay. Não é compreensível combater a descriminalização descriminando os jovens que estavam na jornada e a população em geral. Foi uma agressividade desnecessária”.

Diante da postura radical do movimento da Marcha das Vadias o Grupo Gay de Alagoas emitiu nota de repúdio aos atos de violência ao pudor e intolerância religiosa durante a JMJ.

Confira abaixo a nota na íntegra.

“O Grupo Gay de Alagoas – GGAL, entidade não governamental, sem fins lucrativos  e suprapartidário, atua há duas décadas, e é uma das entidades mais antiga e existente do país e da América Latina.

Mesmo com todas as dificuldades que se encontra para fazer movimento social no Brasil, fez e faz historia neste país, através de conquistas de direitos voltados há população LGBT no estado de Alagoas. Entidades como a mesma somou e soma muito na luta do movimento gay nacional, através da realização de congressos, simpósios, palestras, seminários e representatividades nacional, a exemplo da discussão do PPA, em 2003, onde fizemos parte da coordenação.

Sempre trabalhando em prol dos direitos iguais, e na busca por respeito e avanços nesta longa caminhada, declara e torna publico o seu total repudio a postura seguida por alguns militantes LGBT e feministas, durante a última Marcha das vadias, realizada no estado do Rio de Janeiro.

Ações, como as vividas e presenciadas no ultimo final de semana, não contribui com nada, na luta pelo respeito e inclusão da população LGBT no Brasil e no mundo, na verdade só atrapalha esta luta já tão ardia e perseguida, pela bancada fundamentalista, que acabam usando ações equivocadas como esta, para trapacear e por a população contra a nossa luta, que na verdade é por respeito e dignidade, e não por banalidade. 

Da mesma forma em instituições LGBT sérias como o GGAL, ONG´s feministas, que lutam em prol de direitos das mulheres, acredito que os organizadores dos manifestos, não comungam coma banalização, por parte de alguns participantes. Pois louvável e estratégica foi a coragem das mulheres saírem durante a estadia do Papa no Brasil, pois era um momento de visibilidade, já que toda imprensa mundial estava focada no momento, assim podendo levar com grande foco as suas reivindicações.

Acreditamos que a igreja ainda peca e muito, quando se opõe contra á homossexualidade e os direitos da mulher, infelizmente essa oposição ainda fere e mata muitos jovens gays e mulheres, devido a contravenções bíblica, ou más interpretações da mesma, mas repudiamos ações de total falta de respeito e intolerância religiosa, pois da mesma forma que não queremos ver religiosos em atos, rasgando e queimando a bandeira da diversidade, em protesto contra a liberdade de expressão, jamais comungaremos com tais atrocidades, pena, triste e lamentável o ocorrido, pois só destruiu o trabalho de gente seria, que ali estava, para gritar por direitos.”

Mais respeito e menos intolerância de ambas as partes e entre os iguais.

Nildo Correia, Presidente do Grupo Gay de Alagoas