Após ler as mais de cinco mil páginas com os nomes de pessoas que supostamente receberam pagamentos irregulares na Assembleia Legislativa, o procurador-geral do Ministério Público, Sérgio Jucá, disse, nesta terça-feira (23) estar revoltado com o que constatou.

O chefe do MPE recebeu a denúncia do deputado estadual João Henrique Caldas (JHC) no último dia 1º. O cd entregue continha uma lista com o nome de servidores que receberam pagamentos irregulares e que não foram contabilizados em 2011, superando os R$ 7 milhões.

Após impresso, o calhamaço era de mais de cinco mil páginas, que foi dividido em nove volumes. Jucá disse que ficou revoltado com os nomes de pessoas influentes e empresários alagoanos que estavam na relação. “É revoltante e vergonhoso. Um verdadeiro insulto à população”, afirmou.

Após publicar uma portaria onde convocou a Mesa diretora da ALE a se manifestar em 15 dias pelas denúncias, Jucá avisa que as investigações são sérias e que o MPE está disposto a investigar para achar o ‘fio da meada’.

“Que ninguém pense que isso é uma investigação de faz de conta. Se houver falcatruas, o MPE vai descobrir e punir os culpados. Estamos atentos a todas as denuncias que são veiculadas na imprensa. Tudo está sendo anexado ao processo.”, avisa Sérgio Jucá.

Mesmo tendo ciência das denúncias e do material apresentado pelo deputado JHC, o chefe do MP disse que vai esperar que a Mesa Diretora da ALE encaminhe as explicações que foram solicitadas para poder dar prosseguimento à investigação.

“Não estamos parados esperando essa resposta. Estamos fazendo diligências e seis procuradores estão trabalhando nesse caso. Quando a Assembleia enviar o material solicitado, irei encaminhar ao setor jurídico para análise e depois emitirei meu parecer sobre os passos dessa investigação”, explicou.

Na sessão do dia 18 deste mês, o presidente da Assembleia, deputado Fernando Toledo falou pela primeira vez sobre a denúncia de irregularidades na movimentação financeira da casa. Toledo afirmou que tudo não passou de um “equívoco” e que os extratos das contas do Poder Legislativo foram “mal interpretados”.