Os movimentos sociais que reivindicam a ocupação de um terreno no bairro de Santa Lúcia, em Maceió, estariam “inflacionando” o número de sem tetos que pleiteiam moradias na área.
O terreno alvo da disputa tem cerca de 50 hectares e os movimentos MVT (Movimento Via do Trabalho) e MLT (Movimento Luta pela Terra) apresentaram a governo do estado e à prefeitura de Maceió uma lista com 7.587 nomes indicados como sem teto.
O IBGE afirma que cada família possui, em média, cinco membros. Multiplicando-se os números, a lista apresentada pelos movimentos chega ao somatório final de 37.587 pessoas a serem instaladas no terreno reivindicado.
A maioria das cidades alagoanas não tem este número de habitantes. A cidade do Pilar, por exemplo, tem cerca de 33.000 moradores e São Luiz do Quintunde tem quase 32.000 habitantes. Na prática, é como se todos os habitantes destas duas cidades se transferissem para o terreno localizado na parte alta de Maceió. Pouco mais de 10% das cidades alagoanas tem mais de 37.000 habitantes.
Dos 7.587 nomes apresentados na listagem, um total de 1.940 pessoas são ligadas ao MLT e 5.647 são vinculadas ao MVT, segundo os próprios movimentos. O terreno pleiteado pelos movimentos pertence à construtora Lima Araujo, que ganhou ação de reintegração de posse da área. Retirados do terreno em respeito à decisão judicial, os sem teto acamparam na sexta-feira (19) na sede da Eletrobras Alagoas.
Os próprios integrantes do MLT e do MVT não se entendem quanto ao número real de famílias sem teto que necessitam de moradia. Os números variam a cada posicionamento.
Em entrevistas à imprensa, lideranças dos grupos já afirmaram que o número de sem teto era de 150 famílias, depois mudando para 300 famílias e chegando até o número de 550 famílias em entrevistas. Porém, se depender do número de CPFs entregues às autoridades, o total de famílias é de 7.587.
