A demora da visita realizada pelos Anjos da Paz, vinculados à Secretaria de Estado de Promoção da Paz (Sepaz), a adolescentes dependentes químicos é denunciada por conselheiros tutelares, responsáveis pela parte alta da cidade. De acordo com o conselheiro Fernando da Silva, no último mês dois jovens foram assassinados em decorrência do tráfico de drogas. “Nós estávamos com esses dois casos e eles queriam se recuperar, mas devido à demora acabaram sendo mortos”, enfatizou.

Os casos ocorreram há 40 dias nos bairros do Clima Bom e no Tabuleiro do Martins. Fernando colocou que a assistência dada através do programa não está sendo suficiente para atender a demanda solicitada pelo Conselho. “Não sei o que está acontecendo. Só sei que os adolescentes estão morrendo sem receber o atendimento”. O conselheiro garantiu que requereu a visita dos Anjos da Paz para encaminhar o jovem assassinado no Clima Bom para uma casa de recuperação e não obteve sucesso.

Segundo ele, outro problema enfrentado é falta de vagas nas unidades acolhedoras para internação dos dependentes. Fernando afirma que algumas famílias estão sofrendo por não conseguir a internação, porém durante uma visita a uma unidade no município de Maribondo, constatou que só tinha três pessoas.

“Além disso, os jovens estão desistindo da recuperação por pequenas coisas. Uma feirante do Clima Bom não tinha condição, mas alugou um carro para levar o filho para uma unidade e ele não passou três dias. Foi expulso porque não quis participar de uma atividade”.

A Secretaria

Em resposta, a Sepaz, por meio da assessoria de comunicação, informou que não existe atraso nas vistas realizadas pelos Anjos da Paz, que são feitas no prazo máximo de três dias. A assessoria garantiu que apesar da demanda, todos os casos estão sendo atendidos.

A Sepaz negou a informação de não há vagas nas unidades acolhedoras. “São 1200 vagas e existe uma rotatividade muito grande, porém, não pode abrigar as pessoas que não tem vontade”.