Apesar da promessa do Governo Estadual de que seria entregue até janeiro deste ano a ciclovia na ponte Divaldo Suruagy, no Pontal da Barra, a obra não teve início e, pelo jeito, deve demorar um pouco para sair do papel. Isto porque, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/AL), o projeto de implantação da ciclovia na AL-101 Sul está finalizado, mas aguarda a confirmação dos recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para dar início ao processo licitatório.
Pelo menos quatro acidentes envolvendo ciclistas foram registrados nos últimos dois meses na AL 101 Sul. Os dados são do Movimento Bicicletada de Maceió que vem acompanhando as ocorrências e lamenta a falta de responsabilidade do governo ao inaugurar uma obra de duplicação de uma rodovia sem o espaço destinado à ciclovia.
A morte de Álvaro José Vasconcelos Filho – um jovem de 26 anos, que foi atropelado por um coletivo na manhã desta segunda-feira (15) – foi mais um caso onde a falta de compromisso do Estado afetou diretamente a vida de uma família alagoana. O rapaz, que é filho de um empresário do ramo hoteleiro, era casado, adepto do triátlon e seguia na sua bicicleta quando foi atingido pelo veículo, morrendo minutos depois ao ser socorrido.
Daniel Moura, um dos integrantes da Bicicletada, lamentou a nova morte na rodovia e disse que apesar das inúmeras cobranças feitas ao Estado, ainda não houve uma solução para a falta de ciclovia na AL 101 Sul. “A rodovia é de responsabilidade do Governo. Pagamos nossos impostos e infelizmente não são revertidos da forma correta. Mesmo com a obra de duplicação, trafegar pela AL 101 Sul ainda é perigoso, pois não há condições seguras, não apenas para os ciclistas, mas também para a população e até mesmo os motoristas que seguem em alta velocidade”.
Em março do ano passado, um grupo de ciclistas esteve reunido no Palácio República dos Palmares com o secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, e representantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/AL), onde foi discutida, entre outros assuntos, a inclusão da ciclovia na duplicação da rodovia.
Na ocasião, segundo Daniel Moura, o superintendente de planejamento do DER, Sebastião Mota, explicou que a ciclovia não estava prevista no orçamento da obra, mas que ainda na finalização da duplicação, os espaços seria deixados nas pontes, viadutos e ao longo de toda a obra para a futura construção. Na época, o maior empecilho era devido à carência de recursos financeiros.
A jovem Vanessa Vassalo, 22 anos, adepta da bicicleta, relembrou em entrevista ao CadaMinuto que no dia da inauguração, 22 de setembro de 2012, o governo resolveu entregar a duplicação sem a ciclovia. “A data para a inauguração foi justamente no Dia Mundial sem carro e o governo ainda entrega uma obra incompleta. No dia, conversamos com o governador que garantiu que até janeiro deste ano a ponte Divaldo Suruagy já estaria dispondo da ciclovia, o que não aconteceu”.
As políticas públicas voltadas apenas para os automóveis são citadas pela jovem como maior problema do trânsito em Alagoas. Para Vassalo, enquanto essa concepção não for modificada, novas vidas serão ceifadas em acidentes, não apenas na rodovia, mas também em ruas e avenidas na capital e em cidades do interior.
“É preciso a população cobrar da mesma maneira que aconteceu em relação ao aumento da passagem dos ônibus. As pessoas foram as ruas e a mobilização trouxe resultados. Enquanto ficarmos apenas um pequeno grupo à frente, as mudanças não vão acontecer e as pessoas vão continuar morrendo vítimas desses acidentes”, acrescentou.
