Quem acredita nas explicações da Mesa Diretora da Assembleia sobre os gastos "transparentes" na Casa de Tavares Bastos?
O escândalo dos pagamentos ilegais na Assembleia- revelados também pela jornalista Vanessa Alencar, aqui do Cada Minuto, a partir de dados da própria Assembleia coletados pelo deputado JHC-mostram que os deputados têm calças curtas quando o assunto é abrir os próprios gastos.
Há interesses claros em jogo: o presidente, Fernando Toledo, está de olho na vaga de conselheiro do Tribunal de Contas-apesar de condenado por improbidade administrativa.
O vice, Antônio Albuquerque, quer ser o presidente da Assembleia. E olha as eleições do próximo ano, quando deve se candidatar a deputado federal. Os outros parlamentares também estão de olho na reeleição.
Ao explicar nada, a nota da Mesa Diretora sobre as denúncias é um instante de humor. Tenta espantar- pelo riso- meias verdades com explicações pela metade.
A nota pode ser falsa? Sim.
Como é falsa a biblioteca que recebe meio milhão de reais por ano na Assembleia.
Falsas são as reformas no prédio, consumindo algumas dezenas de milhares de reais. Falsa é a escola legislativa- demonstração, risível aliás, que a Assembleia ensina outras ciências:
- A ciência do lucro fácil- nos carros de luxo estacionados na garagem;
- A ciência de pagar apartamentos a barões e mansões com dinheiro público e bancar eleições de deputados que temiam perder a imunidade parlamentar, sob risco de morte;
- A ciência de hospedar amantes, filhos e agregados da elite alagoana na folha de pagamento- uma elite de pilantras intelectuais com seus rebentos vagabundos e maloqueiros, estes que contribuem para o atraso econômico e social de uma terra rica e mal administrada como Alagoas.
A nota da Mesa Diretora não explica porque os elevadores da Assembleia quebraram mais de dez vezes este ano.
Também não diz porque as contratações das empresas responsáveis pelos elevadores são feitas sem licitação. Usam despesas fracionadas- uma prática condenada pelo TCU. Em Alagoas, um Tribunal de Contas sério desvendaria estes mistérios.
O que vale mesmo na Assembleia são as mentirinhas inventadas pelo bicho papão. Como não se acredita mais em monstros e duendes, sobra o mundo mágico da Casa de Tavares Bastos. A historinha está lá, na pilha de documentos na mesa do chefe do Ministério Público, Sérgio Jucá. É o lado cômico, em meio ao terror e poucas fadas dos nossos famintos viciados em crack e alunos comendo bolacha com água nas escolas municipais.
Um crime de lesa-pátria da nossa elite criminosa- com seus feudos na Assembleia.