Os laudos pericial e cadavérico podem definir como- exatamente- aconteceu a morte do secretário de Agricultura da cidade de Passo de Camaragibe, Márcio Bomfim Alves, filiado ao PMN, ex-vereador da cidade de Barra de Santo Antônio. No centro do crime, um homem acusado pela Polícia Civil como o assassino: Paulo Henrique Coutinho Nogueira, irmão da prefeita de Passo, Marcia Coutinho Nogueira de Albuquerque (PMDB).
Paulo Henrique foi preso. E também são acusados: o cabo da Polícia Militar, Rubens Felizberto de Ataíde Junior, 40, e Janilson da Silva Souza Junior, 19. Rubens tinha uma arma quando foi preso. Segundo a polícia, esta arma não estava registrada. Ou seja: uma arma ilegal.
Os dois laudos são importantes porque podem derrubar- ou manter- a versão de testemunhas do crime: o secretário demorou a morrer. Ele levou um tiro na cabeça.
O advogado do homem apontado como o assassino do secretário- José Fragoso- diz que, em depoimento, a testemunha conta que, ao chegar próximo ao corpo, a vítima se mexia. Viu, no local, Paulo Henrique. A testemunha deixou o local, de carro. No caminho, cruzou com uma viatura policial. Fez sinal com os farois, para apontar a ocorrência. A polícia diz que sabia do crime.
O nome da testemunha é mantido em sigilo. Fragoso trata a versão como absurda. E diz que esta testemunha tinha e tem problemas pessoais com seu cliente, apontado como o autor do crime.
"Toda vez que a polícia está encurralada tem que solucionar o caso a todo custo e querem fazer isso em cima do caso de Paulo", explica Fragoso.
O delegado Robervaldo Davino confirma que uma das testemunhas disse, em depoimento, que ao chegar ao local, "a vítima estremecia". Ele prefere aguardar os dois laudos: o cadavérico e o pericial, que ainda não estão prontos. "O laudo cadavérico dirá a causa da morte. Foi traumatismo craniano? Hemorragia?", disse.
O secretário foi assassinado no dia 22 de maio, na AL 101 norte. .
Na região, as ruas dizem: "Ele sabia demais". Mas ele sabia o quê?
Para a defesa, o secretário e o homem apontado como seu assassino tinham ótimas relações. No dia do crime, falaram-se por telefone. Um chamava o outro de "bonitão" e "fã clube".
A quebra do sigilo telefônico será solicitada à Justiça.
Para a polícia, Márcio Bomfim foi vítima de uma trama política.
E as provas periciais vão mostrar isso.
Ao ser morto, o secretário tinha entre os dedos um cigarro.Não estava no carro e sim próximo a ele.
Por que saiu do carro? Tinha visto um conhecido? Foi obrigado a sair para morrer?
O carro não foi roubado.
Pelo Facebook, familiares dizem que os acusados no crime foram vistos juntos no dia 22 de maio em uma cerâmica, antes de Passo de Camaragibe, por volta das 14 horas. E pedem que as pessoas denunciem o caso ao 181. Nesta sexta-feira (12), eles programam uma passeata pelas ruas da cidade.
A defesa- por sua vez- entrou com um habeas corpus para soltar os acusados no crime. O relator é o desembargador Sebastião Costa Filho.
Seja como for, Marcio Bomfim Alves era presidente da Câmara da Barra de Santo Antônio, quando o Legislativo Municipal afastou a então prefeita Cícera Casado, a Ciçou. O caso foi registrado no ano passado.
Ciçou era acusada pelos vereadores de improbidade administrativa.
Em outubro de 2012, o então presidente da Câmara entrou com ação, no Tribunal de Justiça para impedir que Ciçou movimentasse as contas da Prefeitura da Barra de Santo Antônio. Segundo decisão do então presidente do TJ, desembargador Sebastião Costa, Ciçou poderia “embaraçar/impedir a colheita de provas indispensável à apuração dos supostos atos de improbidade administrativa”.
O desembargador acatou a decisão da Câmara.
Márcio era secretário de Agricultura e transferiu, no ano passado, o título eleitoral para Passo de Camaragibe. O desembargador eleitoral Fernando Maciel- do Tribunal Regional Eleitoral acatou a transferência do título.
