Um gestor sempre pode fazer mais na pasta que lhe cabe.

Adriano Soares, na Educação, teria condições de oferecer mais respostas, além do clássico: "Historicamente é assim".

Ele ficou dois anos no cargo. E há dois anos, Alagoas ostenta os piores índices no Ideb. E isto nos três níveis de ensino.

No Enem do ano passado, escolas privadas ocupavam os oito primeiros lugares do ranking das melhores em Alagoas. Isso já é privatização do ensino público.

Na outra ponta, a pior de todas é a escola estadual J. Enoque Barros, em Girau do Ponciano. Não por acaso: ela é pública, mantida pelo Estado e uma das piores do Brasil- entre dez mil instituições.

Tablet? Novas tecnologias? Na J.Enoque falar disso é deboche.

E somos o maior do Brasil em quantidade de analfabetos. E também: Distorção idade-série, evasão escolar.

É verdade: foi iniciativa de Adriano Soares reformar mais de 150 escolas na rede aos pedaços. Mas, é verdade também que 30% dos professores desta mesma rede são monitores. Ou seja: nem são concursados nem são tratados como trabalhadores efetivos.

São pessoas com contratos precários, que têm as suas razões ao tratar alunos como igualmente precários.

Assim como precários eram- e são- os transportes dos alunos nas escolas públicas, com contratos milionários e renovados de forma quase misteriosa. 

Afinal, por que uma Oscip com um serviço ruim oferta um serviço igualmente ruim e não é afastada do serviço público?

Ou porque Alagoas- líder em analfabetos e violência- não oferece escolas estaduais em tempo integral?

Ou porque o Cepa tem piscinas semi-olímpicas, quadras poliesportivas, uma televisão, duas rádios e um teatro- tudo subaproveitado aos alunos?

Heranças assumidas por Adriano Soares, mas ele mesmo era quem embalava os Mateus dos outros.  

Adriano Soares é um dos melhores advogados em Direito Eleitoral do Brasil. Um dos livros dele é citado em votos de ministros do Tribunal Superior Eleitoral ou desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral- de Alagoas e outros estados. Isso não é pouco.

Mas, o gestor Adriano amesquinhava-se na disputa com o Sinteal, entre os professores. E, após algumas reuniões,transformava as redes sociais em uma arenga. Destas em que as crianças puxam os cabelos umas das outras, no pátio.

Ótima notícia o retorno do advogado Adriano Soares. 

O gestor será esquecido, como serão a lambança de elogios diários via Facebook, a todos aqueles que carregam a caneta nas mãos.