Após o anúncio da presidente Dilma Rousseff, do Programa Mais médicos e da possibilidade de se trazerem médicos estrangeiros, inclusive de Cuba para trabalhar em áreas carentes do Brasil, muitas foram às críticas da categoria, de autoridades e da população.
O CadaMinuto entrevistou o vereador de Maceió, Kléber Costa (PT), que é médico e representante do partido da presidente na Câmara Municipal de Maceió e a decisão foi contestada.
De acordo com Kléber Costa, vereador e médico cardiologista, a presença de médicos estrangeiros no país, apesar de pequeno, é normal. Porém, a contratação destes profissionais deve ser regulamentada.
“Não sou contra a importação de médicos. Mas, acredito que esses profissionais devam passar por provas e testes que comprovem a capacitação. Se a situação dos médicos do país não é das melhores, não adianta colocar qualquer serviço para a sociedade”, disse.
Após a onda de protestos, a presidente Dilma Roussef encontrou uma solução para os problemas de saúde, que seria a vinda de 6 mil médicos cubanos para atuar em regiões mais distantes e carentes de médicos no país.
De acordo com Kléber Costa, além da questão salarial, considerada baixa, o piso médio no Brasil é de R$ 2.500, existe um déficit em regiões como norte e nordeste. A região sudeste concentra o maior número de médicos do país, cerca de 37% que podem chegar, além de remunerações públicas, com atendimentos particulares, podem superar as cifras de R$ 30 mil.
“O médico tem muitas dificuldades no país. Na maioria dos casos, o profissional pode até detectar o problema do paciente, mas tem dificuldades na solicitação de exames e na execução de procedimentos cirúrgicos. Isso prejudica o trabalho e principalmente a população e desanima”, afirmou.
Com relação a escolha de médicos cubanos para atuar no Brasil, a causa é explicada. No país da América Central, existe um grande problema salarial, uma vez que os profissionais recebem no máximo 1.000 pesos, no máximo R$ 500 e o piso médio brasileiro, R$ 2.500 seria um grande aumento.
Na Inglaterra por exemplo, o número de médicos estrangeiros atinge a casa dos 37%, enquanto no Brasil é de 1,7%. Justificada a diversidade de médicos e países, uma vez que um médico chega a ganhar 73 mil euros por ano. Longe dessa realidade, o Brasil e principalmente as regiões Norte e Nordeste precisam passar na verdade, por políticas públicas. O vereador aponta algumas soluções que poderiam ser usadas como sementes para um futuro próximo no país.
“A saúde pública no Brasil atinge cerca de 27%, muito pouco. A solução seria políticas públicas, investindo na mão de obra local, concursos, cargos e carreiras, consórcios intermunicipais, atenção básica, intermediária e de alta complexidade. Cada caso sendo avaliado por vez, poderá melhorar a situação e deixar os médicos brasileiros satisfeitos”, completou.
