Entregues no começo deste mês ao Ministério Público Estadual (MPE), os extratos das movimentações financeiras da Casa de Tavares Bastos no ano de 2011 deverão render vários desdobramentos e dores de cabeça para a Mesa Diretora.
Uma parte do documento recebido pelo Blog do Vilar revela que um servidor comissionado da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) recebeu 102 salários em 2011, totalizando R$ 145.468,68.
Segundo o extrato fornecido pela Caixa Econômica Federal (CEF), o referido servidor recebeu 14 salários – com valores médios entre R$ 1.400 e R$ 1.700 cada - no mês de janeiro e oito salários em cada um dos meses seguintes, de fevereiro a dezembro.
Com a variação nos valores pagos, em janeiro foram creditados na conta corrente do servidor R$ 31.734,92. Em fevereiro e março, ele recebeu em torno de R$ 13 mil (cada mês) e entre abril e dezembro, R$ 9.700. O servidor dos 102 salários foi exonerado em março deste ano.
A reportagem do CadaMinuto entrou em contato com a assessoria de Comunicação da ALE e, em seguida, com o diretor financeiro e de recursos humanos da Casa, Luciano Amaral.
Ele disse que precisava se inteirar acerca do assunto, pois, não lembrava quem era o servidor nem o cargo que ele desempenhou no Poder Legislativo. “A Assembleia está em recesso e só poderei dar um retorno amanhã (terça-feira) pela manhã”, informou.
A reportagem também tentou contato com o presidente Fernando Toledo (PSDB), mas o telefone celular dele estava desligado.
Outras irregularidades
Os CDS com os extratos contendo a movimentação financeira do Poder Legislativo em 2011, entregues pela Caixa Econômica Federal (CEF) ao deputado João Henrique Caldas, o JHC (PTN) após decisão judicial, têm mostrado, desde o início, seu alto teor bélico.
Entre os questionamentos a serem esclarecidos pela Mesa Diretora da ALE estão: pagamentos a servidores fantasmas e mortos, pagamentos de altos salários a parentes próximos (a exemplo de pai e filho), gratificações e transferências não detalhadas.
Ao receber o material da CEF, João Henrique Caldas concedeu entrevista coletiva à imprensa, relatando indícios do desaparecimento de R$ 4,7 milhões dos cofres da ALE, mas, segundo ele o montante pode ser bem maior caso entrem nesta conta as gratificações pagas irregularmente.
Em resposta, a Mesa Diretora da ALE afirmou, por meio de Nota Oficial, que os valores questionados pelo deputado eram destinados ao pagamento de empréstimos consignados dos servidores.
Os documentos foram entregues por JHC ao procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, no dia 1º de julho deste ano. Jucá afirmou que poderá designar uma comissão técnica para analisar o material e não descartou a possibilidade de ingressar com uma representação contra a Mesa Diretora da ALE, caso se caracterize o crime de improbidade administrativa.
