A democracia tem tons diferentes, a depender dos governantes que vão e vem na vida pública.
Há duas semanas atrás, um jovem foi atingido por um tiro no rosto em uma manifestação, na avenida Fernandes Lima. Vieram os discursos, o pedido de prisão do atirador via Palácio República dos Palmares e as ordens do chefe cumpridas.
Afinal, é direito constitucional- dizem os democratas- manifestar-se. Sem violência ou tiros.
Nada dura para sempre. E nem todos os finais de novela são felizes.
Os governantes são os primeiros a quebrarem as regras do tal jogo democrático. Nos bairros de Bebedouro e Feitosa quase não há classe média. Há os miseráveis- esta gente que teima em existir fora das eleições-quando ao invés de reclamar deveriam digitar o nome do candidato na urna eletrônica.
Pois os miseráveis receberam tiros e spray de pimenta. A versão da Policia Militar dá conta de uma ação dos moradores.
A cúpula da PM alagoana é envolvida em episódios curiosos.
Tratou o caso de tortura de pessoas revistadas no bairro do Trapiche da Barra- incluindo choques elétricos- como legítima defesa.
Pode, também, ao atirar contra os manifestantes ter agido em legítima defesa? Sim.
Assim como deve ter agido em legítima defesa o Batalhão de Operações Especiais, o Bope, ao jogar uma bomba próximo à Secretaria da Fazenda em 2007, para retirar manifestantes de dentro da Sefaz, talvez por ameaça à democracia.
E o Bope só age por ordens do Palácio República dos Palmares. Ordens democráticas para garantir a paz social, ressalte-se.
O direito de ir e vir é tão importante quanto o direito a não apanhar da PM (reivindicação dos moradores do Vale do Reginaldo) e pedir moradia decente (dos moradores do Bebedouro).
Mas, a boca da pobreza parece estar descredenciada a pedir alguma coisa. Mesmo quando a água invade uma casa construída contra a cheia, vem um secretário e diz que são só "50 centímetros dentro dos imóveis".
Melhor não seria garantir o direito constitucional do ir e vir? Claro que sim. O direito a moradia digna e não apanhar da PM deve ser dos verdadeiros cidadãos, estes que nem sempre são massa de manobra de políticos e a ladroagem pública, esquivando-se na democracia...