Um flagrante no dia da eleição. Três homens são presos em Maragogi, com santinhos, cadastro de eleitores, um título de eleitor e cerca de R$ 500 em espécie, dentro de um carro. Nove meses se passaram e, até agora, nada. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil, os acusados de compra de votos foram ouvidos, se defenderam como puderam e na mesma semana foram soltos, após pagamento de fiança. Mas, até hoje, o processo segue sem conclusão na Justiça. O Ministério Público Estadual ainda vai se manifestar sobre o caso.

Manhã do dia 7 de outubro de 2012. No povoado Peroba, policiais militares abordaram Celino Antônio, João José e Tiago José, com propaganda eleitoral de alguns candidatos a vereador e do então candidato a prefeito Fernando Sérgio Lira (PP), ex-prefeito de Maragogi, segundo colocado nas últimas eleições. Levados para a delegacia, foram ouvidos pelo delegado Ednaldo Marques, que instaurou o inquérito. O material apreendido foi fotografado por agentes da Polícia Federal, que acompanharam os procedimentos.

Os três acusados alegaram que na noite anterior participaram de uma atividade de campanha do então candidato a prefeito Fernando Sérgio Lira e haviam esquecido de retirar do veículo o material apreendido. Eles negaram a compra de votos. Celino seria o condutor do automóvel e disse que foi até o povoado, na companhia dos dois amigos, porque soube que seu filho havia sido preso. Chegando lá, percebeu que o filho tinha sido apenas abordado pela PM e acabou abordado também. Celino falou, no depoimento à polícia, que o dinheiro encontrado estava em sua carteira.

Os três foram conduzidos para Matriz do Camaragibe, onde ficaram presos por alguns dias. Após pagamento de fiança, foram liberados. Segundo o delegado Ednaldo, abertura do inquérito está confirmada. “Lembro deste caso. Todo o procedimento da Polícia Civil foi acompanhado de perto pelo Ministério Público Estadual. Em dezembro, tirei licença médica e fiquei algum tempo impedido de trabalhar. Depois, fui transferido para outros distritos e só voltei a Maragogi há quinze dias”, explicou, sem saber responder, com exatidão, sobre o trâmite do processo. “Acredito que o processo esteja na esfera da Justiça Federal”.

 

A promotora de Maragogi, Francisca Santana, esclareceu que o inquérito foi instaurado pela Polícia Civil e remetido para o cartório eleitoral da cidade. “O inquérito está tramitando na Justiça. Recentemente, foi encaminhado para o Ministério Público elaborar seu parecer, mas pedi que o processo retornasse para que fossem anexadas as provas materiais”, afirmou. Segundo ela, os santinhos e os cadastros de eleitores foram enviados para apreciação do MP. “O ideal é termos as provas anexadas, porém, de todo modo, foram feitas fotos deste material, o que já prova a existência delas”.