Os caciques de Alagoas são responsáveis pela farra do programa da Reconstrução. Uma farra cara: um bilhão de reais usados praticamente sem fiscalização, distribuídos a prefeitos, de forma indiscriminada como barganha eleitoral, elegando aliados do Governo ou opositores enxergando neste bilhete a chance de continuar no poder ou chegar a ele, em meio a famílias em frangalhos.
Tudo sem controle dos ministérios público Estadual e Federal.
Como um promotor de justiça- sozinho- vai investigar milhões de reais aplicados aos desabrigados?
E como investigar cada centavo, se em Alagoas não existe Tribunal de Contas?
Os conselhos municipais são controlados pelos prefeitos. Famílias tradicionais da região da Mata são donas da dinâmica destas cidades. Os filhos deles não estão na lista dos desabrigados. Eles estão em Brasília, no gabinete de senadores ou deputados federais eleitos pelo povo alagoano. São formados longe da terceira terra mais miserável do Brasil. E quando voltam para retomar o patrimônio político a ser herdado, perpetuam o caos social e a dependência econômica ao programa Bolsa Família (vastamente criticado por eles).
O Governo de Alagoas assume só o bônus do Programa bilionário. O ônus pertence à Caixa Econômica Federal.
Mas, a Comissão de Infraestrutura do Senado- que tem o senador Fernando Collor à frente- também é responsável pelas obras. Para que serve a comissão senão para fiscalizar o uso do dinheiro do povo?
O Senado Federal- que tem Renan Calheiros à frente- também é responsável pelas obras. Murici elege Renan e tem a favela Portelinha, dominada pelo tráfico e onde nem o prefeito Remi Calheiros entra.
E Remi não entra. Assim como a polícia não entra.
Por que?
Os poderosos de Alagoas mostram que não tem forças. Os milhões gastos para as obras de contenção do rio Mundaú, em Branquinha, foram desperdiçados sem chamegos. A população ribeirinha sabe mais que qualquer engenheiro que o rio transborda, independente da barragem.
O comércio da região foi destruído. Só os sem-terra e o Bolsa Família- este programa para vagabundos- movimenta a economia local.
Os caciques? Os nove deputados federais, mais os três senadores e os 27 deputados estaduais só existem em tempos de campanha.
2013 não é ano de campanha. E falta um ano para as eleições. Os dircursos do moralismo ou da pesada culpa estão espalhados pelas ruas.
No fundo, o bilhão das enchentes é esse prêmio perpétuo. Por ele, chega-se a outros bilhões. Basta um apelo aos desabrigados de União dos Palmares e suas casas cheias de lama. A indústria eleitoral agradece.