Litinha é uma faxineira que luta para sobreviver, pois é mãe de vários moleques e, apesar de ter marido, sustenta integralmente a casa. O seu principal desafio é sobreviver aos filhos e marido insuportáveis, patrões perversos e ao chefe do tráfico da comunidade que a jurou de morte. Todo dia corre um boato que ela morreu, mas ela reaparece muito viva, desafiando as más línguas. Muitos torcem por esse acontecimento, pois Litinha incomoda, se intromete, fala verdades e expõe ao ridículo com a sua ingenuidade quase obscena a hipocrisia alheia.
Enquanto faz faxina no teatro, conta como é sua vida. Apanha desde pequena e a sequela é uma dor de cabeça crônica, que a deixa fora de si. Sua vida familiar é um pesadelo e sua relação com os empregadores é bastante tumultuada. Seu currículo é extenso porque quase nunca fica mais de um dia num emprego. Não entende porque só trabalha pra gente complicada.
A cada 15 dias vai à casa de uns músicos que moram amontoados num apartamento pequeno, cheio de fumaça e com a geladeira mais vazia do que a sua. Noutro dia limpa, ou melhor, limpava o consultório de um psicanalista judeu. Da última vez, ele revistou sua bolsa e ficou olhando com cara de merda quando achou o relógio que ela havia guardado “sem querer”. Pior: ele também é assim com as clientes: mudo. E ganha por hora o que ela ganha por dia!
Litinha diz que se diverte ouvindo atrás da porta as histórias que as madames contam. Cada babado! Inclusive já trabalhou na casa de muitas clientes do “vampiro da mente” – que é como ela chama o analista judeu - e pode garantir: tomam remédio tarja preta, daqueles que tem que registrar o nome na polícia e vem mais lacrado do que veneno de rato. Confessa que já tomou escondido e essa foi a causa de uma de suas escandalosas demissões.
Em busca constante de uma faxina extra para abater a dívida do crediário do Natal de 2009, sempre acaba na casa de uma bichinha. Diz que é praga e conclui: rapaz bonito que mora sozinho é sempre viado. Ou como eles preferem ser chamados: designer, hair stylist, somaliê, traineé! E o que seria uma faxina moleza, vira a uma tortura. Toda bicha tem mania de limpeza, enxerga sujeira que nem existe. Diz que essa desgraça também se abateu sobre a sua família. No início pensava que seu filho do meio estava aprendendo a lutar MMA, mas como sempre ficava por baixo, pelado, gemendo e sorrindo, logo desconfiou. Não deu outra: o garoto foi para a Alemanha e voltou operado, com peitos melhores que os seus.
Toda a história é intepretada pela atriz de grande sucesso na TV Globo, Cláudia Rodrigues, no espetáculo "Muito Viva!" e que chega a Maceió nos dias 05, 60 e 07 de julho, no Teatro Deodoro. A atriz divide o palco com o jovem e talentoso ator de TV e teatro, Ítalo Guerra, e conta a história de uma faxineira tem dificuldades em sobreviver num mundo repleto de situações inusitadas, do qual se diz vítima.
Litinha, interpretada por Claudia, revela ao público suas intimidades e também a de outros personagens que tomam forma diante do público. Com humor cáustico, mas repleto de compaixão, o espetáculo é o retrato de mulheres oprimidas que lutam diariamente por independência.
Com direção de Ernesto Piccolo e texto de Rogério Blat, Muita Viva é um espetáculo de qualidade, que emociona e surpreende, trazendo uma reflexão divertida sobre as frustrações, vitórias e desejos comuns a todos os seres humanos.
FICHA TÉCNICA:
Elenco: Claudia Rodrigues e Ítalo Guerra
Idealização: Claudia Rodrigues, Ítalo Guerra e Rogério Blat
Direção: Ernesto Piccolo
Texto: Rogério Blat
Produção: Ricardo Fernandes e Fernando Gomes
SERVIÇO:
Muito Viva!
Com: Claudia Rodrigues e Italo Guerra
Local: Teatro Deodoro
Dias: 05 e 06 de julho às 21 horas e 07 de julho às 20 horas
Valor do Ingresso: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia) Para estudantes, idosos e clientes da Porto Seguro Seguradora.
Vendas: Mr. Cat ou pelo site gaproducoes.com
Produção local: G A Produções
Informações: (82) 3032 5210 ou 9601 2828
