Os números da violência cresciam sem parar em várias cidades de Alagoas. A capital alagoana era a mais violenta do país e um dos lugares onde mais se matava no mundo. Diante do caos, o Governo do Estado, através do líder do executivo, Teotônio Vilela Filho, pediu diretamente a presidente da república, Dilma Rousseff, que o governo federal intervisse na causa e apresentasse soluções eficazes para combater a violência em Alagoas.
A partir deste momento, o “Plano Brasil Mais Seguro” foi implantado em Maceió, com mais de R$ 200 milhões sendo investidos nas mais diversas vertentes da segurança pública.
Um ano se passou, autoridades apresentam números que mostram uma redução considerável para os primeiros 365 dias, a sociedade contesta e cobra de todas as formas um combate mais eficiente, no qual políticas públicas seriam aplicadas e os crimes reduzidos em Alagoas.
Dando continuidade a série de reportagens sobre o primeiro ano do “Plano Brasil Mais Seguro”, o CadaMinuto entrevistou o Secretário de Estado de Defesa Social, Dário César, que fez um balanço da primeira fase do plano implantado e das mudanças e melhorias que devem ocorrer a partir de agora.
CONFIRA A ENTREVISTA:
CM: Em que momento o governo do Estado percebeu que uma medida imediata precisava ser tomada e como foi a decisão pelo “Plano Brasil Mais Seguro”?
DC: Éramos a capital e o Estado onde mais se matava no país. O governador nos convocou, como uma missão e o pedido de ajuda ao governo federal, que jpa havia sido feito, deveria ser insistente. Fomos a Brasília e com o trânsito que o governador tem, pediu a presidente que olhasse com atenção e fomos atendidos. Nesta parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), através da Regina Miki, o governo federal entrou com R$ 60 milhões e o governo mais 160, para colocar em ordem a segurança em Alagoas.

CM: Durante esse primeiro ano, foram feitos vários balanços, nos quais os números da violência eram reduzidos. Por outro lado, a sociedade contesta esses números e pede o fim da violência. Qual a avaliação final feita pelo governo?
DC: Os números mostram 20% redução. Governo estadual, ministério justiça, governo federal confirmam. A presidente Dilma é de um partido rival (PT) do partido do governo do Estado (PSDB) e não teria interesse em parabenizar, se não fosse verdade. De fato, os números são altos e por serem muito altos, as pessoas não percebem as reduções. Segundo domingo de maio 2012 por exemplo, dia das mães, foram registrados 23 homicídios em Alagoas, este ano, oito homicídios. Continuamos na luta para regressão desses números. Há 12 anos estes números só cresciam e começamos uma era de redução de crimes.
CM: Diante desses números, que apresentam redução de crimes, o resultado seria por si só positivo. Mas, o que o governo poderia destacar como negativo ou que pode ser melhorado?
DC: Os resultados animaram tanto o governo federal, que ampliaram o plano para outros Estados do país. Neste ano, o que ficou claro é que precisamos de uma polícia judiciária mais eficaz, que esteja presente na cena do crime. O crime aconteceu, as testemunhas, as peças que podem esclarecer o homicídio, no calor da situação, devem ser utilizadas na investigação. A delegacia de homicídios ajudou, mas precisamos ampliar esse serviço. Diminuição de homicídios porque os assassinos são contumazes. Temos duas mil mortes, mas não são dois mil assassinos. Os criminosos são contumazes. Além disso, temos que reforçar o departamento de Homicídios Maceió e Arapiraca. Fortalecendo a perícia. A rainha das provas é a prova pericial e esse erviço precisa ser aperfeiçoado e os profissionais precisam ter estrutura.
CM: Um estudo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mostra que a grande maioria dos crimes em Alagoas, é contra jovens. Como essa questão pode ser analisada e soluções escolhidas?
DC: O plano trabalha com ação da polícia e perícia, mas é amparado por projetos como “Juventude viva” e “Crack, é possível vencer”. Fazem como pano de fundo, porque a violência é consequência da faltade trabalho, renda, justiça social, educação. É um outro setor, mas o governo tem trabalhado em várias secretarias, como trabalho, educação e saúde para melhorar o serviço de uma forma geral e agir diretamente na questão de segurança.
CM: Ao mesmo tempo que balanços positivos eram feitos, denúncias de truculências com relação a Força Nacional e críticas contumazes ao plano foram feitas. Uma corrente contrária e política pode estar á frente dessas críticas?
DC: Com relação as denúncias, tudo que foi trazido ao nosso conhecimento, foi investigado. Nós somos os maiores interessados no bom funcionamento da segurança pública. Com relação a interferência política, não acredito que alguma autoridade seja tão mesquinha a ponto de se locupletar, se utilizar do sofrimento alheio para atacar o governo do Estado ou federal. Não acredito que representantes do povo se passem por ações como essas, tirar proveito desses momentos.

CM: Passados os primeiros 365 dias do "Plano Brasil Mais Seguro", o que deve ser mudado para a segunda etapa deste projeto?
DC: O governo estadual através da Defesa Social, o giverno federal através da Senasp e da secretária Regina Miki, que passa todas as informações e relatórios para a presidente Dilma Rousseff, faz análises diárias desse plano. Corrigimos rumos, alinhamos decisões, esse é o nosso ciclo. Analisa, age e começa tudo de novo. Precisamos diminuir crimes em Arapiraca, precisamos ampliar segurança em Rio Largo e continuar trabalhando forte em Maceió e no interior do Estado. Temos muito o que realinhar e ajustar, mas estamos no caminho certo", finalizou.


