Festa Junina não é apenas sinônimo de forró e animação. Para muitos, a festa representa trabalho. É o caso dos ambulantes que aproveitam a época para garantir uma renda extra.
Gelva Lúcia Moreira da Silva, 56, trabalha há 15 anos como ambulante e diz sempre estar presente em eventos que possam aumentar sua renda, já que a única renda fixa que possui é a assistência do Bolsa Família.
Para atrair consumidores, Gelva aposta na diversidade de produtos. “Eu vendo batatinha frita, churrasco, cervejas, refrigerantes, doces. Tenho de tudo”, diz a vendedora, acrescentando que as vendas e os lucros estão bons.
Apesar dos problemas de saúde, Gelva afirma passar 24h no local. Para isto, se alimenta e cuida da higiene pessoal em locais próximos a barraca que trabalha. Questionado se o esforço vale a pena, Gelva é enfática e diz que sim. “Vale muito a pena. Este é o meu ganha pão, o meu emprego. Aqui eu tenho a oportunidade de ganhar um dinheirinho a mais. É difícil, mas é assim mesmo, temos que continuar lutando”.

Assim com Gelva, o casal Aparecida Lins e Emanuel Santos encontrou na venda de bebidas a forma de garantir o sustento da família. Desempregado, o casal está presente em todas as noites na festa junina que acontece no bairro do Jaraguá. Sem ter com quem deixar a filha Vitória, 6, a menina também acompanha os pais. A família chega às 15h e retorna para a casa às 4h.
Aparecida explica que o dinheiro que ganhou até agora é pouco, mas que mesmo assim valeu a pena. “No final do dia, fico feliz quando eu pego no meu dinheiro, e vejo que foi honesto. Com o pouco que ganhamos, nós conseguimos viver honestamente”, finaliza.
Para Renilson Márcio e Maria Leide, ambos desempregados, as vendas não estão boas. O casal explica que a procura por seus produtos, algodão doce e brinquedos, é pequena, e como não estão cadastrados, a situação complica ainda mais. “O lucro é nenhum, mas mesmo assim nós estamos trazendo nossos produtos para não ficar em casa parados”, diz Maria Leide.

Aumento na renda
Ao contrário de Gelva, Aparecida e Emanuel, Luiz Carlos Santos e a esposa Fátima Barros têm trabalho fixo e aposta na época junina para aumentar a renda da família.
Luiz Carlos trabalha em um mercadinho e, como está no período de férias, aproveita o momento para ficar na barraca. “Como estou de férias, aproveito para trabalhar aqui. Chego às 15 h e saio às 4h. É cansativo, mas vale a pena”, afirma.
Falta de Segurança
Para os ambulantes, é preciso que a segurança no local seja reforçada. “Nós passamos a madrugada trabalhando em um local em que a segurança é pequena. A Festa tem alguns policiais, mas não é suficiente”, afirmou Gelva, relatando casos de roubo no local.
Gelva acrescentou ainda a necessidade de criar uma Associação de Ambulantes para que a situação dos vendedores seja regularizada. “Nós, muitas vezes, somos humilhados. Eu gostaria muito que alguma coisa fosse feita para que nosso trabalho fosse mais respeitado”, finalizou.


