A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) divulgou nesta terça-feira (25) o relatório com o número de assassinatos praticados contra jovens em Alagoas. Comparados com os números do ano anterior, houve uma elevação de quase 10% no número de jovens que morreram no estado. Somente nos primeiros cinco meses do ano, a comissão registrou 524 homicídios.

De acordo com o presidente da comissão da OAB, Daniel Nunes, Alagoas registrou uma média superior a 100 assassinatos por mês. O relatório apresentado à imprensa durante entrevista coletiva nesta manhã mostra o levantamento realizado pela comissão e compara os números de 2012 com o apanhado de janeiro a maio deste ano.

Em 2012, foram registradas 1089 mortes de jovens entre 18 a 24 anos. Destes, 948 crimes foram cometidos com armas de fogo. O relatório mostra ainda que Maceió liderou como o município mais violento do estado, com 464 homicídios contra jovens e o bairro do Tabuleiro do Martins registrou 74 ocorrências, seguida pelo bairro do Jacintinho.

Já neste ano, foram mortos 524 jovens; 460 deles foram mortos a tiros. Maceió continuou liderando como o município mais violento, porém houve uma redução no número de crimes no bairro do Tabuleiro. Até agora, foram registradas 35 assassinatos.

Faltam políticas públicas para a juventude, defende comissão

O presidente da comissão afirmou que os números mostram que faltam políticas públicas voltadas para a juventude no estado. Nunes defendeu que é necessário que seja feito um investimento mais efetivo em equipamentos que promovam o lazer e o bem estar da comunidade.

“No Benedito Bentes, por exemplo, o número de homicídios contra jovens reduziu e as estatísticas apontam que aquela região não é mais tão violenta. O motivo é simples: foi implantada uma base comunitária no conjunto Selma Bandeira do lado da quadra de esportes. Aquele local voltou a ser o centro do convívio da comunidade. Esta atitude deve ser colocada em prática em outros bairros onde os números mostram que a violência é alta”, defendeu.

Conforme já havia antecipado o CadaMinuto nesta segunda-feira (24), os números de homicídios praticados no estado se comparados com o mesmo período antes da implantação do Brasil Mais Seguro revelam que a taxa de homicídios não reduziu, manteve-se alta e estável.

Daniel Nunes comentou que os números apresentados pela Secretaria de Defesa Social relativos ao mesmo período mostram que houve uma redução de 13% no número de homicídios praticados em Alagoas não condizem com a realidade. Ele voltou a afirmar que alguns casos não são incluídos nos relatórios oficiais do governo por falta de dados, diferente da metodologia adotada pela OAB.

“Muitos casos demoram a chegar ao conhecimento do governo e só são colocados posteriormente nos relatórios. Nós aqui temos acesso a tais crimes com mais rapidez seja pela imprensa que divulga nomes e informações com precisão, seja por relatórios diários que recebemos. O que constatamos é que os índices de violência continuam gritantes no estado e mudanças e investimentos são necessários”, afirmou. 

Filosofia das Bases Comunitárias precisa ser aperfeiçoada

O relatório apresentado evidencia que a eficácia das bases comunitárias não tem surtido os resultados esperados. Apenas no Benedito Bentes, onde o núcleo da Polícia Militar fica próximo a uma quadra de esportes, houve redução significativa dos números. Para Daniel Nunes, as bases comunitárias foram implantadas sem um planejamento. Ele defende que elas deveriam ter sido construídas de forma que uma apoiasse a outra nas ações. “Aqui a única que seguiu esse esquema foi a do Benedito Bentes, as demais estão isoladas e não surtem efeito”, disse.

Ele disse ainda que é necessário investir não só em  políticas públicas para  a juventude, como também aumentar o efetivo de policiais nos bairros onde o número de assassinatos contra jovem ainda é alto.

“Continuo defendendo que haja a realização de concurso público para as polícias Civil e Militar, reforço de equipamentos e uma melhor estratégia na condução das ações de combate à violência. Essas deficiências resultam em pilhas de inquéritos acumulados, falta de policiais e em mais mortes”, pontuou.

A comissão vai encaminhar os resultados obtidos com o relatório para a presidência da OAB. Tudo será  encaminhado ao Conselho Estadual de Segurança solicitando explicações nas diferenças apontadas pelo relatório da comissão, além de cobrar mais investimentos na polícia e em políticas voltadas para os jovens.