Mesmo a presidente Dilma Rousseff tem sido cautelosa ao analisar as manifestações que se espalham no Brasil.
Posição diferente é a dos defensores do Governo. Fala-se em "golpismo", como se a mídia brasileira ou os "conservadores" ecoassem, nos manifestos, um discurso lacerdista contra um Getúlio Vargas. Aliás, a grande mídia usou este expediente contra Getúlio.
Mas, onde o está o golpismo se as manifestações pedem que os serviços públicos- e não apenas o transporte- funcionem para todos?
E não apenas a uma sociedade democrática formada por uma aristocracia.
(Não estão incluídos aqui os vândalos, aqueles que transformam os protestos em explosão às próprias frustrações psicológicas).
Onde estão os conservadores enérgicos, se a mídia brasileira tratou os movimentos- no ínício- como ilegítimos?
A pauta do preço da passagem de ônibus é tão semelhante ao problema do preço do pão, que estourou a Revolução Francesa.
A mídia tenta controlar- para si- as manifestações. E enfrenta a fúria não só da classe média, mas dos setores que não partilham o bolo econômico.
Não temos a monarquia. E a elite brasileira comporta-se como se o rei na própria barriga calasse, com sua voz, as expectativas de todos.
Tratar brasileiros como maloqueiros ou vagabundos não é um quadro atual. Faz parte da nossa história, que aclama os vencedores e massacra os vencidos.
Um dia trucidamos Tiradentes, sufocamos marinheiros na Revolta da Chibata e hoje matamos nossos jovens neste chão da oitava economia do mundo. E a que mais mata.
Que a mania do golpismo não seja a única programação daqueles cuja ignorância não permite avançar além dos próprios olhos.