Na contramão das cidades brasileiras em que os prefeitos defendem o aumento das passagens de ônibus, em Maceió, o prefeito Rui Palmeira (PSDB) pode ser preso se insistir em negar o reajuste das passagens de R$ 2,30 para R$ 2,80. Cinqüenta centavos a mais no bolso do maceioense, que mora no terceiro estado mais pobre do Brasil.
 
Em Maceió, a decisão sobre o aumento vai depender do desembargador James Magalhães de Medeiros, do Tribunal de Justiça. Na semana passada, ele disse que se não existir um consenso entre os empresários de ônibus e o prefeito, ele vai decidir sozinho o reajuste. Nos corredores do tribunal, a tendência de James é aceitar o que querem os empresários.
 
A alta da inflação e o preço do combustível, peças e pneus são os argumentos dos empresários. O prefeito, contrário ao reajuste, reclama da qualidade do transporte. E propõe que o Executivo pague as gratuidades do sistema para evitar o aumento.
 
Quatro mil estudantes foram às ruas em Maceió na última segunda-feira (17). Eles fecharam as principais ruas da capital alagoana com faixas pedindo o não-reajuste da passagem, o fim da corrupção e a não-aprovação da PEC 37 – que diminui os poderes do Ministério Público.
 
No fim do protesto- na avenida Fernandes Lima (principal via que liga as partes alta e baixa da capital)- os estudantes foram surpreendidos por dois tiros. Um jovem de 16 anos foi atingido, de raspão, na bochecha. Um funcionário da Superintendência de Iluminação Municipal (Sima) estava em um carro oficial, após trocar lâmpadas em ruas de Maceió quando tentou furar o bloqueio dos estudantes. Eles reagiram depredando o veículo. O funcionário sacou uma arma e atirou no jovem e deu outro tiro para o alto. Ele conseguiu fugir e, horas depois, se apresentou à polícia. E alegou ter agido em legítima defesa.